Buscando formas de proteger-se dos processos em que se envolvem, por denúncias de corrupção, os políticos correm para os cargos eletivos, que lhes proporcionam imunidades. É o que fazem agora José Genoino e Antonio Palocci, que já deram sinais de que desejam concorrer à Câmara Federal. Se eleitos, ali eles serão beneficiados, além das muitas benesses, pelo foro privilegiado reservado aos deputados e assim os processos contra os dois passariam a correr no Supremo Tribunal Federal. Os cidadãos devem perguntar-se se uma generosa mãe habita essa corte, por ser a preferida dos políticos quando julgados por denúncia de atos ilícitos. A função parlamentar, no Brasil, é abrigo para corruptos afastados dos parlamentos e de cargos no Governo, por acusações de improbidade. Eles buscam refúgio nesse reduto. Fosse este um país sério, ali seria não um lugar de aconchego e sim de execração dos maus políticos. Mas é justamente nas altas esferas do poder onde eles se aninham – e incrivelmente pela indicação popular – e é também na mais elevada instância da Justiça onde eles almejam ser julgados, se pegos e denunciados. Só o fato de tentarem reeleger-se (Genoino foi deputado e Palocci prefeito) já constitui uma afronta face aos escândalos em que estão envolvidos e por estarem respondendo a processos. Porém, mais do que isso é o recurso de correrem para esse lugar de privilégios e de garantias, a atestar que ali é um lugar seguro. Os partidos políticos não deveriam dar guarida a candidatos envolvidos em processos, mas o que fez o PT (o partido de Genoino e Palocci) foi declarar – pela palavra do presidente do diretório paulista, Paulo Frateschi – que quer os dois como candidatos à Câmara Federal. A generosidade da legislação eleitoral permite isto – portanto também ela necessitada de reforma, de modo a expurgar essa anomalia – e é a triste constatação de que há eleitores para guindar ou reconduzir maus homens públicos ao poder. Esta, talvez, a realidade mais entristecedora, a do beneplácito da substancial porção de eleitores que continua votando neles, por venda direta do voto, por troca de benefícios, pelo engôdo de belas palavras e por atraso político. As informações dizem que Palocci busca apoio – imagine-se onde! – no regaço do setor financeiro, leia-se os bancos, as operadoras de cartões de crédito, as financeiras, todos os que vieram robustecendo fortunas graças à política monetarista do então ministro da Fazenda.

mockup