A defesa da agricultura é uma questão recorrente, e não apenas porque o Paraná é um Estado de grande produção agrícola e pecuária, mas porque o Brasil tem nessa linha e seus derivados o grande sustentáculo da economia. É graças à grande parcela de contribuição do produto do campo que há um grande superávit na balança do comércio exterior, e o Governo não se cansa de tirar proveito político disto, embora não seja o agente dessa excelente posição. Agora os jornais noticiaram que as exportações do agronegócio, no mês de maio, foram U$ 5,199 bilhões, significando um novo recorde.
As importações também cresceram, e estas se devem à boa performance da contrapartida em receitas de embarque. Costuma-se propagandear que exportar é o que importa, mas as importações que têm ocorrido vêm melhorando os parques industriais, pela renovação de máquinas e equipamentos, e contribuem também para melhorar a infra-estrutura do agronegócio e por extensão propiciam aumentos de produtividade e mais bem-estar para os cidadãos em geral. Poder importar significa oportunidade de adquirir - entre outros bens - equipamentos de última geração, e assim o país se moderniza, e em tal condição produz mais e melhor.
A soja continua na liderança dos produtos exportados, e cresceu o volume de exportação de carnes (de frango e bovina) e a renda auferida, em função da melhoria dos preços externos. Essa boa situação não faz do negócio rural um mar de lucros para o produtor, por isso esse setor, que tanto beneficia a economia nacional, precisa de constante amparo, para que não esmoreça e continue proporcionando dividendos para o conjunto da nação. Justamente por serem fortes fatores de desenvolvimento, a agricultura e a pecuária não podem ser abandonadas, até porque envolvem milhões de pessoas, desde as que lidam na agricultura familiar até as das grandes propriedades. Esses dois segmentos da cadeia produtora rural, e por extensão a agroindústria, são grandes empregadores de mão-de-obra e também abastecedores dos cofres públicos, pela geração de receita tributária.
Se a nação inteira é beneficiada pelo abastecimento que vem do campo, um setor como este que proporciona tanto emprego, tanta movimentação financeira e tanto recolhimento de impostos, deve interessar também ao Governo, se é que tem juízo. Nem seriam necessárias tantas lutas reivindicatórias dos produtores rurais, porque o zelo por essa fonte produtora deveria ser uma política normal constante. Proteger o negócio do campo é salvaguardar a economia de eventuais crises. Se o presidente Lula e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, se aproximarem mais das lideranças rurais e ouvirem e atenderem os seus clamores, estarão no caminho da consagração de sua missão governamental. Porque esta é também uma forma inteligente de exercer governo.

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