O cerco contra o fumo vai se fechando, e agora, em Londrina, os promotores públicos Solange Vicentin e Paulo Tavares acabam de determinar a salutar proibição de fumar dentro dos cinco principais shoppings e do Camelódromo. Titulares, respectivamente, das Promotorias de Meio Ambiente e da Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, as duas autoridades estribam-se no que estabelece a legislação, que proíbe o consumo de cigarro em ambiente fechado. Porque o tabaco é tão nocivo aos que fumam quanto aos circunstantes, que absorvem a fumaça e os venenos contidos nela. Doravante, nesses locais, os seguranças estão autorizados a abordar os que não seguirem a determinação. No início serão colocadas placas de advertência, e na continuidade os infratores serão punidos com multas. Como se tem escrito, melhor ainda que medidas restritivas será a conscientização dos fumantes para os malefícios que o fumo causa ao organismo. Mas, ao menos, o estabelecimento de normas sobre locais onde não fumar vai impondo limites, e isto é um avanço, até o momento em que essa prática seja proibida na maioria dos lugares. Tal não caracterizará uma censura a direitos individuais e sim a defesa da garantia que os não-fumantes têm de proteger-se dos que fumam. Ademais, o cheiro nauseante do cigarro e do hálito dos viciados fica impregnado nas roupas, cabelos e objetos e, incrível que pareça, inclusive na memória olfativa de muitas pessoas que não fumam. A estatística mostra que, de todos os vícios, o que mais gera doenças graves e mais mata é o fumo, superando as drogas clássicas, já tão perigosas e constituindo outro dos grandes males da humanidade. A Organização Mundial da Saúde revela que 5 milhões de pessoas morrem por ano, no mundo, em consequência de moléstias originadas do fumo. Essas mortes e o tratamento das doenças adquiridas por via do cigarro (e das drogas no geral), se já são um mal em si mesmos e afetam diretamente os viciados, acabam onerando acentuadamente o custo social, e assim quem paga a conta são todos os cidadãos. Deixar de fumar é, portanto, também uma questão de tirar dos outros um fardo, além de livrá-los da fumaça invasora que absorvem. A informação que se segue foi extraída de cartazes que estão em muitas farmácias e que visam, certamente, sensibilizar pelo impacto. Eles dizem que o fumo contém: ''amônia desinfetante de pisos e privadas, naftalina mata-baratas, fósforo usado em veneno para ratos, acetona removedora de esmalte, terebentina que dilui tintas, e formol conservante de cadáveres''. Se esta advertência pode induzir os viciados a pensar nos venenos que injetam no organismo próprio e no dos que estão próximos, medidas impostas pela força da lei, como a agora aplicada pelos promotores de Londrina, são providenciais. Por que, ao menos, livram os não-fumantes do cheiro e da fumaça poluente e venenosa.

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