Salto de qualidade com Embrapa Soja
Quando a Embrapa Soja foi criada, em 1975, a produção nacional de soja era de 10 milhões de toneladas/ano, mas com o advento dessa instituição de pesquisa o número subiu para 50 milhões na safra 2003/4. Isto situa o Brasil em segundo lugar na produção mundial da oleaginosa, depois dos Estados Unidos. A Embrapa Soja, que é uma das quarenta unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (vinculada ao Ministério da Agricultura), tem participação fundamental nesse avanço, pelo desenvolvimento de tecnologias que permitiram aumentar a produção e a produtividade e situaram o Brasil de hoje entre os grandes exportadores do grão. Essas tecnologias, que vieram se ampliando e cada vez com melhor resultado, contemplam o manejo do solo, das culturas para os diferentes ecossistemas brasileiros, das pragas e das plantas daninhas e o controle biológico da lagarta e do percevejo. Até 1970 o plantio comercial de soja no mundo restringia-se a regiões de clima temperado e subtropical, cujas latitudes estavam próximas ou superiores a 30 graus, mas os pesquisadores da Embrapa Soja romperam essa barreira, desenvolvendo variedades adaptadas às condições tropicais de baixas latitudes, permitindo o cultivo da planta em todo o território nacional. Hoje a unidade de Londrina que tem 70 pesquisadores com mestrado e doutorado, 15 laboratórios e 300 empregados, e dispõe de 471 hectares de área experimental não apenas garante a transferência de tecnologia mas promove eventos tecno-científicos, participando de feiras e exposições, propiciando visitas de estudantes à sua ''vitrina de tecnologia''e operando em parceria com instituições de ensino, empresas públicas e privadas, associações de produtores e fundações de amparo à pesquisa. O idealismo dos pesquisadores é um destacado fator de sucesso da Embrapa Soja, que constitui hoje o maior programa mundial de melhoramento genético do gênero para regiões dos trópicos, trabalho que é realizado por meio de parcerias. Neste momento da humanidade, que inicia o terceiro milênio em preocupante situação de fome no mundo, a soja revela-se um grão salvador, pois é barata e tem grande potencial para a alimentação humana, pelo seu alto teor de proteína de boa qualidade e baixo nível de colesterol. Daí a importância de instituições como a Embrapa Soja, não por acaso situada no Paraná, Estado onde a produção de alimentos é prodigiosa e se exapande, gerando a dinamização da economia e a ocupação de mão-de-obra, cooperando para a garantia alimentar de milhões de brasileiros e trazendo substanciais divisas para o País com a exportação. Com o lançamento, em dezembro, do Programa Nacional de Biodiesel, os extratos a partir da soja, do girassol e do dendê serão fundamentais. Esses extraordinários progressos não teriam chegado a tamanha proporção sem a presença, nestes trinta anos, da Embrapa Soja, que, ao lado de organismos como o Instituto Agronômico do Paraná e a Emater, entre outros, fazem do Brasil um campeão não só em produção agropecuária mas também em pesquisa.





