Depois de muito tempo, ouve-se finalmente uma manifestação mais forte sobre o Sistema Ciclado adotado pelas escolas públicas municipais, de primeira à quarta séries, que na prática aboliu do vocabulário desses estabelecimentos de ensino a palavra repetir. Considera-se que antes dos protestos havia a necessidade de assimilação da nova proposta, dando-lhe oportunidade de maturação. Também leva-se em conta que em alguns eventos importantes da área da educação o tema já foi discutido. Mas esperava-se, sim, um posicionamento. E este que surge, nesta edição da Folha de Londrina, em reportagem publicada nas páginas 21 e 22, é de fundamental importância.
Talvez concebido para uma estrutura educacional forte, que contempla professores e alunos, o Sistema Ciclado tenha em sua base fundamentos consistentes para a mudança já em prática. Nesse caso, porém, teria o professor que trabalhar em melhores condições, inclusive salariais, sem desprezar a permanente reciclagem que dê, na soma dos resultados, motivação para ensinar. E aos alunos, no mínimo teriam eles que ter professores motivados e uma condição de vida razoavelmente digna, para que fatores externos à vida escolar não interfiram na aprendizagem.
Em síntese, o enfoque de uma real comunidade escolar, o que não se vê no Brasil, contribuiria não somente para o bom desenvolvimento deste projeto mas de outros. Essa comunidade escolar incluiria não somente a escola e o aluno, mas a sociedade que dela depende para dar ensino aos seus filhos. Nem isso temos na prática. O saldo, assim, é desastroso: alunos que deixam a escola sem aprender.
Walter Ogama

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