Salário mínimo de R$ 180 - Fernando Marrey Ferreira
Fernando Marrey Ferreira
O povo brasileiro que, em sua maioria vive com o salário mínimo, pode tirar proveito das discórdias dos políticos do Planalto Central. O PFL foi trapaceado na base da aliança que dá sustentação ao governo de FHC. Passou a não ser o maior partido da Câmara dos Deputados, perdendo a possibilidade de fazer muitas nomeações para cargos nas comissões da casa. O partido nunca se preocupou com a sociedade, na voz de um de seus interlocutores estavam fisiologicamente atrelados ao rei sempre dizendo amém.
Numa democracia propriamente dita, o jogo partidário trava-se em torno de propostas institucionais e projetos de interesse social; no Brasil, o jogo opera-se atrás de cargos e interesses particulares dos líderes partidários. A ameaça do PFL em levar adiante o projeto que eleva no mínimo de R$ 136 para R$ 180 deve ser concretizada nunca é tarde para se passar a atuar com liberdade em prol da sociedade. Os deputados do partidos passariam a não mais ser meros despachantes de luxo do Poder Executivo.
O partido político é uma agremiação coletiva em que seus membros agrupam-se em torno de idéias para compartilhar do poder decisório na esfera governamental. O troca-troca na indicação por cargos, tendo em contrapartida votos favoráveis no Congresso sem a menor contestação, descaracterizam os preceitos ideológicos dos partidos políticos.
O que temos hoje é um amontoado de políticos orbitando atrás de interesses particulares. Nosso povo pouco escolarizado ainda não se deu conta das consequências destas distorções em seu detrimento. A cara de pau deles é tamanha, que nossos representantes populares chegam a verbalizar esta situação.
Por isso, a democratização partidária com a criação de fóruns de debates deveria existir na base dos partidos e os filiados deveriam poder exercer efetiva participação nas decisões de cúpulas partidárias. Para tanto, torna-se imperativo uma reformulação na prática partidária do País. Este enriquecimento da cidadania deve ser perseguido.
Aceitando o fisiologismo como regra em nosso País, devemos considerar que o Poder Legislativo não age como poder, não é independente e muito menos harmônico em relação aos demais; é constituído por certos abutres espertos, que, em troca de vantagens pessoais, respalda nosso presidente no exercício do poder imperial.
O salário mínimo de R$ 180 é muito baixo para nosso país, mas, é o começo para dignificar o povo miserável, pois R$ 44 a mais por mês é muito significativo para uma massa populacional grandiosa. A governadora do Maranhão, Roseana Sarney, já aderiu à proposta e pagará a seus funcionários este novo piso salarial mostrando a sensibilidade feminina com a população mais carente. Se mais mulheres dirigissem Estados brasileiros, muitos miseráveis poderiam ser salvos.
Fosse o Brasil um pouquinho sério disse o jornalista Clóvis Rossi na semana passada seria agora a hora certa de a rua dar o troco no partido do rei. O povo deve dar o troco em todos os partidos que dão sustentação ao rei nas eleições municipais deste ano. A forma de dar o troco deveria ser através de grandes manifestações populares nas ruas, mas como o povo é carente e está desmobilizado, a única forma é aguardar as eleições para efetivar mudanças concretas nos quadros dirigentes de nosso País.
Não acredito que o PFL lute aguerridamente para efetivar este novo salário mínimo. Parece jogo de cena em mais um espetáculo demagógico de nossa política tupiniquim. O povo um dia há de se levantar!





