Salário mínimo baixo e encargo alto
Para atender aos requisitos básicos defendidos pela Constituição o salário mínimo deveria ser de R$ 1.900. Portanto, os R$ 506 previstos para valer a partir de janeiro do ano que vem representam apenas 1/4 do que seria razoável. Pelo termo constitucional o ganho tem de garantir vida digna ao trabalhador, aí compreendidos atendimentos decentes de saúde, alimentação, educação, moradia, lazer. Mas o piso vigorante e o que virá não são suficientes para isso. A alta média prevista é de apenas R$ 45.
Se esse minguado aumento atinge a União - que terá de pagar o acréscimo para os empregados governamentais dessa faixa -, são as empresas as que mais têm trabalhadores de salário mínimo, assim como as famílias que empregam domésticas e outros serviçais. Para o Governo, ademais em ano pré-eleitoral, é oportuno propor elevação do mínimo (baixíssima, repita-se), mas é no encargo social sobre os salários que reside o problema. Porque para quem emprega o custo é duplo.
Mas o sistema não abre mão dessa receita, que é tirada indiretamente do bolso do trabalhador. Porque os empregadores certamente pagariam mais voluntariamente o correspondente a esse encargo se ele fosse repassado ao ganho do trabalhador, senão no total ao menos em parte. O argumento é que dessa arrecadação saem os recursos para os atendimentos previdenciários, mas é preciso repetir sempre que o Governo esbanja no custeio da máquina administrativa por todas as formas de mordomias, salários elevadíssimos (em contraste gritante com o que ganha um operário por pesadas horas trabalhadas), superfaturamento de obras e serviços para alimentar a corrupção, nepotismo, gastos dispensáveis, excesso de gente no quadro funcional e assim por diante. (É necessário ressalvar que mesmo no âmbito governamental trabalhadores são sacrificados, caso dos que atuam em segmentos da saúde, da educação e da segurança, enquanto as ''castas'' superiores da vida pública se locupletam. Por isso, o Governo não precisaria arrochar nos encargos sociais sobre o ganho dos trabalhadores.
O salário mínimo é baixo e continuará baixo, enquanto as empresas e os contribuintes no geral recheiam os cofres públicos pelo tanto que são obrigados a pagar em impostos. Se um grande contingente de trabalhadores recebe acima do piso básico, o salário mínimo é que delimita o ganho dos aposentados, por isso também estes recebem pouco. Então, essas duas camadas de brasileiros não vivem, apenas sobrevivem.





