Vitor Henrique Paro entende que a educação vem mudando paulatinamente e que há boas experiências desenvolvidas por governos de Estado e municípios. Sobre a perspectiva de mudança, ele cita o parecer da Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura) que estabelece um número máximo de 25 alunos por sala de aula. ''Hoje tem mais de 40 alunos numa sala'', observa Paro, concluindo que dão ao professor o dobro de trabalho para desenvolver como se isso fosse possível. ''É o mesmo que dar dois carros para um motorista dirigir ao mesmo tempo. Como se tivesse um médico para fazer duas cirurgias ao mesmo tempo'', observa indignado.
Autor de livros sobre educação, Paro afirma que nessa área há muitas formas de enganar. Uma delas é dizer para o aluno estudar senão será reprovado. Ou que se estudar vai ganhar uma bicicleta no final do ano. ''Aí o aluno finge que aprende. Decora, guarda algumas coisas para a prova. Aprendeu? Claro que não'', completa. O professor conclui que, em vez de estudar para aprender, o aluno estuda para se ver livre da escola. Ele indaga: ''Como é que uma pessoa vai gostar desse tipo de coisa? É por isso que a maioria da população odeia a escola. Todos queríamos ficar livres da escola porque ela não falou a nossa linguagem. Ela não foi educativa''.

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