Sair do discurso para a prática
O Brasil assumiu um compromisso ousado na Conferência do Clima (COP-22) realizada no mês passado em Marrakesh, no Marrocos. O País tem a meta ambiciosa de reduzir em 43% as emissões de gases de efeito estufa até 2030, em relação aos níveis de 2005. E tem mais: aumentar a participação de bioenergia sustentável na matriz energética para aproximadamente 18%, restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas, bem como aumentar em 45% a participação de energias renováveis na composição da matriz energética nos próximos 14 anos. O encontro no Marrocos foi destinado para discutir meios de colocar em prática o Acordo de Paris, firmado na COP-21, em 2015. Cumprir o objetivo assumido não é impossível, mas vai exigir um trabalho conjunto buscando conscientização não só de governos e empresários, mas também da sociedade civil. O mundo libera por ano 36 bilhões de toneladas de CO2 e o Brasil é o sétimo no ranking das emissões, liderado por China e Estados Unidos. No Paraná, a agropecuária é a responsável pela maior parte das emissões de gases com efeito estufa (38%), seguida por transportes (30%) e indústria (22%). É muito importante que as nações pensem em como realizar a transição para uma economia de baixo carbono. Cento e noventa e cinco países participaram da COP-21 e assinaram o Acordo de Paris. O fato dele ter entrado em vigor menos de um ano depois, mostra que a preocupação com as mudanças climáticas é geral. Lembrando que o Protocolo de Kyoto, de 1997, foi um marco, mas não conseguiu cumprir os objetivos estabelecidos de redução de emissão de gases poluentes. Talvez porque entre a assinatura do protocolo e a sua aplicação, houve um período de sete anos. Os efeitos do aquecimento global não estão distantes e as consequências já chegaram. Basta observar a instabilidade do clima, com longos períodos de estiagem e episódios de chuvas em excesso. Em relação ao Acordo de Paris, é necessário sair do discurso para a prática. É preciso empenho de todos os segmentos da sociedade e também disposição e recursos para fiscalizar o cumprimento das metas.





