Saída de Sarney para reconstruir moral do Senado
Repleto de razões, o senador Pedro Simon (PMDB-RS), que figura na ala sadia do Congresso, está sugerindo que José Sarney renuncie à presidência do Senado, para o bem dele, de sua família, de sua história e da Casa. Os brasileiros certamente estão desejando que ele saia para desanuviar um pouco o semblante nebuloso que cerca a vida parlamentar brasileira. Diz-se apenas um pouco porque a densidade pesada que paira não é apenas por esse caso os mais de 600 atos secretos envolvendo irregularidades mas vem de mais tempo. Será melhor, como o político gaúcho disse, Sarney sair do que ser obrigado a sair.
O presidente Lula, defendendo Sarney (que ele atacava quando sindicalista e agora louva por tratar-se um grande aliado), vinha culpando a imprensa pelas denúncias sobre aqueles atos, acusando-a de ter predileção pela desgraça, mas depois que viu o tamanho das barbaridades mudou o tom do discurso. Se Sarney não sair, a crise no Senado persistirá até chegar a um ponto insustentável. A pauta das discussões já está emperrada.
A apuração das denúncias pode revelar a celebração de contratos milionários de compras e terceirizações, sob a batuta do diretor-geral do Senado, Agaciel Maia (recentemente afastado a pedido próprio, por um período de 90 dias e com salários mantidos), e foi nos últimos 14 anos que aqueles atos tido como irregulares aconteceram. Sarney já está no terceiro mandato como presidente do Senado e Agaciel foi nomeado por ele. Sem dúvida o senador maranhense sempre sabia de tudo o que se passava públicamente e nos bastidores da Casa. O então diretor-geral afirma nunca haver cometido irregularidade, mas em março ele foi acusado pela Receita Federal de ocultar a declaração de uma mansão de R$ milhões uma propriedade que certamente não se adquire com o dinheiro de salários, mesmo que na esfera governamental em Brasília eles sejam altos. Denúncia de irregularidade envolve também um neto de Sarney, intermediador de empréstimos consignados de vários bancos para funcionários do Senado. A Polícia Federal investiga se há corrupção e tráfico de influência.
Um mal paralelo a esses escândalos altamente nocivos por si mesmos é que de crise em crise por conta de denúncias de irregularidades envolvendo parlamentares e agentes governamentais, as duas Casas do Congresso vão retardando discussões importante reclamadas pela nação, e no que depender disso o Brasil estaciona no tempo.





