As recentes transformações política, cultural, econômica e, fundamentalmente, tecnológica, ocorridas sem carimbo de data e prazo, exceto pelo comercialmente famoso bug do milênio, fizeram abruptas e significativas mutações no comportamento da relação profissional entre empresa e a gestão contábil. Requerer atuação contábil diversa da adotada até um recente passado, não mais anterior do que o meio da década de noventa, passou ser imperativo para os administradores de qualquer porte de business, deixando de ser regalia das grandes companhias a segurança de uma gama maior de informações para suporte decisorial.
O segmento que mais cresce no mundo dos negócios, independentemente da atividade econômica interposta como objeto social, é aquele com capital, espaço e recursos reduzidos. As ditas pequenas e médias empresas se proliferaram, porém, não na mesma lentidão que sua gestão se profissionalizou, se é que se pode dizer no atacado que isso aconteceu. Não se afirma que todos crescem: a totalidade de empresas pequenas cresce, independentemente da grande quantidade que, individualmente, fecham.
Mas, é cada vez mais crescente o número desses anões empresários-administradores, cumulativamente, que buscam informações até então restritas aos boards das sociedades por ações ou das grandes limitadas. Como exemplo frequente, não raras situações similares, o gestor contábil ouve do desorientado empresário: ''Será que vai dar lucro mês que vem? Vai dar para pagar as contas?'' Mal sabe ele que o contador pode, e deveria, neste caso, elaborar um relatório prospectivo de resultado e outro de fluxo de caixa para enterrar suas dúvidas junto com suas angústias.
Em dias de margem operacional reduzida e lucro líquido cada vez mais a conta-gotas, sem contar quando as gotas voltam para dentro do frasco, eles, os anões, já não se limitam a aceitar uma contabilidade voltada exclusivamente aos cumprimentos de obrigações e prazos fiscais. Esperneando, reclamando e aceitando (fazer o que?), ressalta-se o fato de que tais obrigações continuam exacerbadamente complexas e exageradamente numerosas. Busca-se, pois, na capacidade do profissional contábil e, surpreenda-se, na equipe de sua ESC Empresa de Serviços Contábeis, antes mero escritório contábil, um conjunto de informações diferenciadas, ágeis, confiáveis e, principalmente, voltadas à atividade do cliente-empresa.
Não resta outro caminho para não sair do mercado contábil terceirizado: é usar as mesmas e outras novas ferramentas contábeis, agregando valores aos negócios da small and medium enterprise. Configura-se atualmente, e será muito mais evidente daqui a dois ou três anos, no máximo, a transposição entre o cumpridor de tarefas e o verdadeiro contador. Deixar de ser o profissional que trabalha para o fisco e recebe da empresa, para assumir o posto de verdadeiro contador-controller é receita líquida e certa de sucesso profissional e financeiro. Sentencio, por analogia, ainda em época de futebol na aldeia global, me desculpem os franceses, argentinos e italianos por tocar nesse assunto, que sai de campo o cansado e improdutivo assessor fisco-contábil e, sob aplausos, entra revitalizado o gestor de informações contábeis e gerenciais. Apelidado no meio empresarial de consultor e diplomadamente registrado contador. Regra geral para os selecionados é aquecer antes que o jogo acabe: o técnico teimoso e exigente todos sabem quem é.
SILVIO APARECIDO TEIXEIRA é contador, consultor e auditor. Mestre em Contabilidade, professor de graduação da UEL e Unopar. Coordenador de Pós-Graduação da PUC-PR

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