Tem gente que pensa que Papai Noel é Deus. Muitas crianças, ensinadas pelos adultos, acreditam. Porque este é o deus que, segundo as induziram a crer, lhes dá presentes no Natal. Em Londrina até edificaram um ‘‘templo’’ em homenagem a essa ‘‘divindade’’, e todos os anos, nesta época, milhares de pessoas o visitam. E esse número de visitantes tem servido como forte referencial no balanço de resultados.
Se há espetáculo, as pessoas vão lá ver. Como iriam ver a Xuxa ou o Ronaldinho. Bom que fossem eles, pois ao menos iríamos reverenciar ídolos nossos, e verdadeiros. E se não bastasse o Papai Noel, inventaram a Mamãe Noel. Ambos chegaram aplaudidos pela oficialidade e pelo povo e foram entronizados no ‘‘templo’’. A figura do Velhinho ocupando o espaço do Menino Jesus, e Mamãe Noel o de Mãe Maria. O espetáculo foi bonito, com muitas luzes e cores, as pessoas aplaudindo e se extasiando. Pena que a ‘‘divindade’’ que homenageavam não era a do Natal. O que deveria ser divino transformou-se num ritual pagão.
No interior dessa ‘‘igreja’’ à margem do lago há, sim, também a alegoria do Presépio, e anjos, mas parece apenas um desencargo de consciência, porque a grande manifestação exterior não tem sido para o Menino Jesus mas para o Velho Noel. No Brasil o protetor natalino dos lojistas.
O que deveria ser o Londrinatal é o Londrinoel. Porque Papai Noel e Mamãe Noel são as ‘‘divindades’’ que governam o Natal oficial de Londrina. (Não seria mais feminino Mamãe Noeli?...). O casal chegou puxado por alegorias de renas e trenós, e ao desembarque o titular da representatividade oficial lhe entregou a chave da cidade. No Carnaval esta mesma chave, agora transitória, passa para o Rei Momo.
A Jesus o que é de Jesus, a Noel o que é de Noel.
Em dezembro do ano passado, neste espaço, já escrevi que deveríamos dar uma chance ao Menino Jesus, entristecido que estava com aquele espetáculo da chegada triunfal do Papai Noel e com a inauguração da Casa em sua reverência - patrocínio do poder público e da entidade que congrega os comerciantes. Me perguntava por que não faziam a mesma festa para o Menino que sempre renasce nos corações dos verdadeiros cristãos neste 25 de Dezembro.
(Em Curitiba, lemos nos jornais que o célebre Palácio Avenida, em sua decoração de Natal deste ano retirou todas as figuras profanas de Papai Noel e colocou no lugar só motivos natalinos, os verdadeiros símbolos da cristandade).
É de temer que, em Londrina, na memória da oficialidade político-comercial vá desaparecendo a lembrança do verdadeiro sentido do Natal.
Jesus Mestre, com certeza absoluta, não se importa, e observa compreensivo: ‘‘Pai, perdoa, eles não sabem o que fazem’’.
Se Noel tem que prevalecer porque é patrono das vendas, Jesus poderia ser um muito melhor guia para os nossos negócios, se seguíssemos os seus ensinamentos. Com toda certeza nossa vida e nossos negócios prosperariam. Porque nem Jesus nem Deus são contrários a que busquemos o dinheiro, eis que a Providência Divina nos dispôs todas as riquezas. Porque riqueza é de Deus. Não é coisa impura. A impureza está no mau uso que fizermos dela.
Qual é a Palavra de Papai Noel? Alguém conhece dele algum ensinamento? Nem vender ele vende, e às vezes atrapalha, porque assusta as crianças. Nenhuma delas se aproxima espontaneamente de um Papai Noel, a não ser empurrada pela mãe. Algumas choram. Já se fosse a meiga figura do Menino da Manjedoura... Porque os iguais se identificam e toda criança olha com candura outra criança. Papai Noel nem fisionomia tem. Alguém já viu a face de um deles?
Se as lojas querem mais vendas, no Natal, Jesus não é contra. Se houver fé, ele será um grande mediador. Dar presente e ganhar presente no Natal é muito bom, e presente (nem todos, naturalmente) se compra em loja. E se o grande homenageado em nossos corações for o Menino/Mestre, então com certeza haverá muitas compras-e-vendas, plena confraternização e um grande festival de alegria.
Quem quiser ver Papai Noel que o faça, não é pecado nenhum. Mas vamos também dar uma chance ao Menino Jesus!
Já escrevi que quando queremos debochar de alguém, pela ingenuidade, dizemos que ele é daqueles que ainda acreditam em Papai Noel. Porque Noel não se sustenta na consciência de nenhuma criança depois que ela chega à idade da plena razão. Então por que induzi-la a cultuar a figura temporária deste Deus dos Presentes?!
Certamente há Alguém que nos dá presentes maiores. E que já nos deu o mais precioso deles, que é o dom da vida.
Nossas lojas e nossas casas e nossos jardins e nossos corações deveriam, em todos os Natais, e o ano todo, encher-se de presépios, para que não se perca a memória de que eles simbolizam a chegada desse missionário que, pelas suas palavras e exemplos, deu tão valiosa contribuição à continuidade do ministério de Deus entre os homens.
Não se deve mensurar a qualidade do Natal de cada ano pelo volume de vendas do comércio, mas pelas vezes que nos prostramos, em meditação e reverência, para dar graças ao Pai pela dádiva da vida.

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