RIO - A escolha de Canudos e da figura do Conselheiro refletem a predileção do diretor Sérgio Rezende por personagens históricos. Afinal, seus dois filmes mais conhecidos - O Homem da Capa Preta e Lamarca - retratam dois vultos antípodas da história recente do Brasil.
Ele define o projeto sobre a campanha de Canudos como seu filme mais barato e mais caro ao mesmo tempo. Tem razão. O longa que começou a ser rodado em julho no sertão baiano é uma superprodução brasileira, orçada em US$ 6 milhões. Mas se fosse realizado em qualquer padrão civilizado de produção custaria pelo menos três vezes esse valor, num cálculo conservador.
Para se ter idéia da dimensão do projeto: a cidade cenográfica que representou o arraial de Canudos foi construída no interior da Bahia em um terreno de seis mil metros quadrados. Divididos em oito turmas, 120 homens levantaram 400 casas e duas igrejas, que formaram o núcleo da cidade. Para dar mais verossimilhança às imagens, Sérgio optou por usar matérias-primas autênticas na construção das casas.
Para garantir o retorno desse investimento nas bilheterias, precisaram, também, escalar um elenco capaz de atrair público aos cinemas. Conseguiram. O núcleo de intérpretes é formado por José Wilker, Marieta Severo, Cláudia Abreu, Paulo Betti e José de Abreu, que contracenam com mais de dez mil figurantes.

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