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Não bastasse a conjuntura nada favorável ao Paraná como uma unidade federativa sem representatividade, tivemos ontem novos lances da CPI das Drogas (a quente, a nacional) inclusive com o enquadramento, como se esperava, de policiais, empresários e políticos da praça, conforme o relatório aprovado.
A matéria de prova, se persistir a mesma da fase inicial, mostrar-se-á precária, sob o ponto de vista técnico-jurídico, e apenas superará a etapa de avaliação do Ministério Público. Há, portanto, um cenário para frustrações próximas, a não ser que aquele órgão, que expressa a sociedade diante dos gravames à lei, colija novos e mais bem fundamentados elementos para o enquadramento dos indiciados. Expectativas não satisfeitas, ainda mais num processo de tanta repercussão, pegam muito mal e ajudam a erodir as instituições, além de levarem ao público a sensação de impotência.
As coisas não param aí. Toda a bancada senatorial é de oposição e isso se torna visível nos temores do senador Osmar Dias de que o Itaú, por causa das tropelias dos precatórios, tenha ficado com ações da Copel. E se no caso dos protocolos das montadoras, que não revelados levaram os pais da Pátria a bloquear a concessão de empréstimos ao Paraná, dá para imaginar o que farão, ainda mais quando os três mosqueteiros podem ser candidatos ao governo ou na hipótese mais branda pelo menos dois deles à reeleição. Vem aí chumbo forte.
Ademais, as questões que muitos pretenderam jogar no aterro sanitário do Banestado e condenadas ao esquecimento voltam a aflorar com as ações tanto do Ministério Público estadual quanto do federal. Além disso são de combustão fácil as dezenas de denúncias ainda em exame, todavia detalhadas como informe privilegiado nas mãos de políticos, sobre patologias deste governo, tanto as do banco leiloado como de casos como o dos Jogos Mundiais da Safadeza.
No caso da CPI das Drogas o governo paga pela omissão e, nos demais, a coisa muda de figura, já que os seus pecados decorrem de ação, ainda que às vezes desencadeada de forma sutil.
BIZARRICE
Quando o Bobo da Corte ultrapassa os poderes do Rei a monarquia virou caricatura e no máximo só se presta para operar em escola de samba
AXIOMA O presidente da APP, Romeu Gomes Miranda, declarou enfaticamente que não vai dar trégua ao governo. Está aí algo redundante. Parece que se dá o contrário: quem não dá trégua aos professores é o governo.
GLOSA O senador Osmar Dias quer sinceramente salvar a Copel de cair nas mãos do Itaú. Ele e o irmão, Alvaro, que são do partido de FHC, podem mediar algo construtivo. O governo federal assumiu os precatórios de vários Estados e seria lastimável que a União não o fizesse com o Paraná que ficou com boa parte desse mico.
EPIGRAMA O Lalau não quer ser execrado. Só se apresenta se não o escracharem e não o algemarem. Falta exigir que não lhe ponham uniforme zebrado. Lalau não pede colher de chá porque não rima: quer mingau quente, comido pelas bordas.
SILOGISMO Quem diria, hein? Hoje José Carlos Martinez, como dirigente do PTB nacional, é mais forte do que o Leonel Brizola, do PDT. Este acha que lavrou um tento com a saída de Garotinho no Rio. Só que o governador carioca mantém a caneta cheia, o diálogo com todas as forças e esvaziou o partido com a saída dos seus seguidores. Aqui, no Paraná, foi a mesma coisa: no período de Lerner, o PDT era o maior partido e hoje caminha para o minimalismo.
FICÇÃO PEDAGÓGICA Frank Kafka, o atormentado escritor do absurdo, sofreria mais dos que as agruras de O Processo se tentasse se valer da telefonia privatizada para comunicar-se com o resto do mundo. Se encaminhasse um telegrama fonado na Telepar seria atendido em Porto Alegre, se pedisse informações pelo 102 quem atenderia seria da terra do Guga, Floripa. Mas se tentasse ser atendido pela Ouvidoria (0800-41-1211) ela se mostraria surda.
Privatizar às vezes é o caminho mais curto para puxar a descarga.
O pior se dá quando o usuário, por descuido, paga uma conta duas vezes. Ao esperar que a própria empresa corrija no lançamento do mês seguinte quebra a cara e quando pede explicações é mal atendido por servidores robotizados. O curioso é que quando se trata de crédito, a empresa é eficiente na cobrança e até na exigência de juros, o que não acontece quando se trata de débito.
OUTRO KAFKA O arquiteto Airton Cornelsen, o Lolô, está experimentando uma dura prova: a Prefeitura de Curitiba não assume qualquer responsabilidade no risco de um afundamento de calçadas na esquina das ruas Augusto Stelfeld com Fernando Moreira sob a alegação de que a responsabilidade é dos proprietários. O nível da rua, conforme laudos periciais, já baixou 82 centímetros e reduz-se em 2 centímetros a cada 15 dias. Lolô procurou a Rua da Cidadania, enviou telex, fax e memoriais à prefeitura com documentação apoiada em laudo e nada. A sondagem revelou que em 40 metros de calçada a base é oca e, portanto, sem sustentação, podendo ocorrer ali um deslizamento como o havido na Praia de Guaratuba, devido a outros fatores. O muro pode cair, o mesmo acontecendo com o posteamento e a prefeitura diz que a calçada não é assunto de sua alçada. Rima e, cá entre nós, não é engraçada.
DESUMANIDADE Não apenas instituições como as que gerem planos de saúde estão restringindo atendimento aos clientes sob o fundamento da frequência, isso é o uso excessivo dos serviços. Agora também a Ecco-Salva também limitou os seus atendimentos para pessoas idosas e que pedem assistência emergencial mais de uma vez por semana. É o Brasil descendo a ladeira. Cada vez convivendo mais, todavia, com a realidade.
FOLCLORE Uma jornalista foi assediada na rua por um exibicionista e de pouca imaginação. Tanto que estava de capa e pelado por baixo e fez a exibição. De bate pronto a jovem disse que o achava mal dotado o que levou o terrorista certamente para o divã de um analista.
CROMO As estrelas pulsam ou são os vagalumes que cintilam?
AFORÍSTICO Quando o governo anunciou o Amaral como líder houve o anúncio na Assembléia de que o Requião faria o raio X do deputado no Senado.





