'Saco de bondade' e medidas pouco contribuidoras
A destinação pelo Governo de US$ 10 bilhões para empréstimo a empresas é contribuição importante nesta hora. Uma providência que pode folgadamente ser tomada, porque há disponibilidade de US$ 200 bilhões em reservas externas. Dessa forma as empresas beneficiadas poderão saldar suas dívidas em moeda estrangeira e manter com mais desenvoltura negócios e empregos.
A redução, para pessoas físicas, do Imposto de Renda e do Imposto sobre Operações Financeiras é outra boa providência, porque os quase R$ 5 bilhões que o Governo deixará de arrecadar ficarão no meio circulante, beneficiando a economia, porque a União continua sendo grande concentradora de renda. Não é nenhum favor governamental, mas apenas a devolução - embora sob a forma de empréstimo - de uma ínfima parcela da moeda ao seu devido lugar, que é o bolso dos cidadãos, para que faça seu giro e semeie desenvolvimento.
O termo ''saco de bondade'' não quer dizer uma generosidade do Governo e sim uma tomada de consciência, que não deveria ser sazonal mas permanente. Mas ao facilitar a vida das montadoras automobilísticas baixando o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na venda de carros novos, o Governo - afora o natural benefício para a economia interna e para essas empresas multinacionais - também favorece as matrizes delas, que estão sendo socorridas na crise por via da remessa de lucros que auferem, oriunda de suas fábricas externas, incluindo as brasileiras. Resta saber se a indústria automobilística repassará à clientela a redução do IPI. Porque o Governo não fiscaliza isto. Esse repasse, se não ocorre, é um procedimento pouco contribuidor da área privada. Veja-se, como exemplo real, que o preço do barril de petróleo caiu mas o preço nos postos está inalterado. No caso do álcool, muitos estados baixaram o custo ao consumidor por causa da baixa emergencial do preço pelas usinas, mas não foram todos.
Ao lado de medidas salvadoras ainda existe certa perversidade do mercado. São passos de conscientização que ainda precisam ser dados. Também os bancos aumentaram juros depois da crise, ao invés de baixá-los, como fez o mundo com juízo. O cheque especial subiu 1,13% em novembro e a conta garantia (para pessoas jurídicas) saltou 1,23% a mais. O Copom manteve o juro básico em 13,75%. O governador paulista José Serra foi enfático, durante reunião em Curitiba: ''Isto é falta de conhecimento em economia''. O disparo tinha endereço: a política do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.





