A greve que assola os caminhos das perobas e os torna intransitáveis até para insetos, deveria ser repensada por todos os londrinenses, visto que esperar atitudes deste atual governo é perda de tempo. Não vejo o porquê da continuidade do movimento, mesmo que defendendo (como defendo) os lídimos interesses da classe funcional, administrativa e do corpo docente. Trilhemos o caminho das perobas. A quem interessa esta greve? O que resultará dela? Quem colherá os trunfos disso tudo? Quais os fatores que a determinaram?
Outro dia, um secretário de Estado afirmou em entrevista na TV que a greve vislumbra muito mais um movimento de caráter político. Pergunto-lhe o que é ‘‘o caráter político’’? Tudo na vida é um ato e uma atitude política, até o não fazer greves, o não pagar os aumentos merecidos, o retaliar toda uma comunidade que não aceita mais ser tratada como massa de manobra pelo seu dirigente maior, no caso o governo do Estado.
Mas os líderes que encabeçam este movimento, visto que são politizados idem, deveriam repensá-lo. Visto que não conseguirão demover - a não ser com intervenção jurídica e imparcial na história - o atual governo, não haveria outra forma, e muito mais lúcida, de fazer frente ao pouco caso do Palácio Iguaçu?
As eleições estão próximas e se cada cidadão paranaense, cada estudante, funcionário ou professor das universidades atingidas, guardarem ‘‘o chumbo pesado’’ para as eleições, tornando-se multiplicadores efetivos e formadores de opinião junto à população, não seria muito mais coerente do que esta queda de braço que não levará a lugar algum a não ser à deterioração do seu ambiente de estudo e de formao?
A desculpa esfarrapada encontrada por este governo (embora juridicamente legal) foi a Lei da Responsabilidade Fiscal, mas quando do outro mandato e podendo fazer os ajustes salariais necessários, não deixou transparecer aquilo que a comunidade paranaense espera, o da aplicação da lei não votada ou escrita: a da ‘‘Responsabilidade Social’’ dos nossos governantes, essa sim que jamais passará no Congresso.
O que nos cabe fazer, embora eu reconheça que existam fundamentos até de sobrevivência dos grevistas? Retornar, sem dúvida para o campus da UEL e das outras universidades, guardando para este governo estadual, deputados estaduais e os que sempre estiveram contra a população e a favor de si mesmos, a resposta das urnas, até estimulando alunos de outros estados a transferirem seus votos para cá.
Londrina e interior sempre foram alavancas para o suporte de interesses pessoais, que se arraigaram no Palácio Iguaçu e sempre tratados com desdém. O que se pode esperar de algumas figuras ‘‘da tropa de choque do palácio’’? Lembram-se dos que votaram pela venda da Copel?
Os sindicatos, os alunos, os professores, os funcionários, e todos os paranaenses, deveriam guardar para as eleições, toda a sua revolta contra qualquer candidato apoiado por este governo, seus secretários e seus adeptos, dando-lhes a ‘‘banana do bananal mais próximo’’, retornando às salas de aula e ao trabalho, mas de forma muito consciente.
Os trabalhos de convencimento da população, a resistência a esta ditatorial ameaça ao ‘‘melhor’’ tem que iniciar já, se preservando a UEL e as outras universidades. Mas sem dúvida guardando para estes poderosos o retorno tímido e silencioso, embora maiúsculo do ‘‘não’’ nas próximas eleições. Não há partido maior no mundo que o da ‘‘indignação popular’’ guardada na garganta e nas dívidas por pagar.
Retiradas estratégicas, proporcionam muito mais conquistas do que o se deixar destruírem (como muitos interesses assim o querem) com os perobais ou as belezas das mentes que se formam. Defendamos nossas universidades contra cupins, insetos e a destruição, retornando a elas, mas guardando toda esta indignação justa para o momento melhor, com a frieza da sábia indignação.
LUIZ EDGARD BUENO, Londrina

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