Não só neste momento, quando tanto se fala de crise, mas em qualquer tempo, é sempre válida a máxima de que sabendo-se usar não irá faltar, ou faltará menos. A mudança de ano não altera nada na vida das pessoas, a não ser pelo fato de a maioria dos brasileiros aproveitar o verão e tirar férias. Por consequência, as atividades baixam de ritmo temporariamente, com menor produção, mas neste período isto sempre ocorreu. Porque no Brasil os primeiros três meses do ano são reservados para uma vida um pouco mais mansa.

Não se pode agravar essa fase de menor operância (embora fértil para o setor turístico) com a fixação em idéias de crise, embora não faltem os catastrofistas de plantão. Óbvio que muitos, pelo mundo, estão sofrendo na carne essa onda maléfica originada nos Estados Unidos em setembro - com reflexos inclusive no Brasil - e que a situação recomenda cuidado para evitar exagero de gastos. Mas não se deve deixar de consumir e comprar o necessário, porque aí sim pode-se criar problemas para a economia.

Analistas econômicos recomendam comprar à vista e assim evitar os juros, sempre elevados e fora da medida, e para isso é preciso pressionar o comerciante para que opere com toda a transparência, mostrando ao freguês quanto o custo final é acrescido na venda a prazo. O consumidor não deve acreditar que o preço a prazo é o mesmo do preço à vista, porque se o vendedor já obtém o lucro no processo natural da comercialização, também ganha com o juro embutido nas prestações. No caso da compra de veículo, as revendas realmente baixaram o custo depois da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Houve um benefício, embora no Brasil o Governo abocanhe mais de 40% do custo ao comprador de qualquer veículo automotor. Por isso não faz favor nenhum em reduzir o IPI, porque ainda lhe sobra muito da cota tributária do carro, mais o que vem na continuidade, como as licenças de uso, imposto sobre combustível, taxas, pedágio (parte do qual vai para o poder público), contabilizando-se aí também as multas - estas decorrentes de infrações individuais mas não deixando de ser mais uma substanciosa renda oficial.

Recomenda-se ainda não usar cheque especial fora do limite, porque isso é o mesmo que a pessoa assaltar-se a si própria, e o uso aleatório do cartão de crédito é uma atitude de risco. Por último, a recomendação é que as empresas não demitam, porque isto sim será colaborar para o caos. Se uma instituição empresarial não quer o pior para si, não pode gerá-lo nos outros.

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