Ruy Fabiano
Torcendo
por Lula
O Presidente Fernando Henrique acompanha, afetando desinteresse, o conflito interno do PT em torno da sucessão presidencial. O presidente teme uma eventual desistência de Lula, o candidato que as pesquisas indicam como o mais conveniente a seus planos reeletivos.
Com ou sem Brizola, Lula é visto como candidato com profundas limitações. Não consegue estender seu círculo de alianças e é refém das facções mais radicais do partido. A parceria com Brizola não alteraria a natureza restritiva de sua candidatura. De certa forma, ampliaria seu espectro de rejeições.
O Planalto, pois, está pouco ligando para o destino daquela parceria ou mesmo para os planos pessoais de Brizola. Juntos ou separados, não infundem qualquer preocupação.
O temor é de que Lula desista de candidatar-se e o PT acabe por lançar Tarso Genro como seu substituto. Tarso, além de exibir experiência administrativa - foi prefeito de Porto de Porto Alegre e teve gestão elogiadíssima -, é mais articulado e mais apto ao debate de idéias que Lula. Assim pelo menos é visto pelo próprio Fernando Henrique, que, em diversas oportunidades, chegou a citá-lo como um dos raros oposicionistas a exercitar adequadamente o papel crítico que lhe cabe.
O PDT de Brizola e o PPS de Ciro Gomes são estruturas partidárias nanicas, sem dimensão nacional, o que os torna problemáticos para alianças em eleições casadas, como a deste ano. Não basta, pois, haver um candidato com bom potencial, como Ciro Gomes, por exemplo.
É preciso que simultaneamente haja estrutura partidária equivalente, que viabilize pactos regionais sólidos. O PT é o único dos partidos de oposição a possuir tal estrutura. O PMDB, que tem estrutura igualmente sólida, é, no entanto, um partido hibrido - metade oposição, metade governo. Dos efetivamente na oposição, o PT é o único estruturado para firmar aliança capaz de ameaçar a frente governista.
Falta-lhe, no entanto, antes de mais nada, candidato em condições de abrir o leque das alianças. Lula, por mais que busque reciclar o seu discurso, não vai muito longe. O governador Miguel Arraes, presidente do PSB, por exemplo, está certo de que ele é um nome ultrapassado - e não o quer como parceiro.
Já em relação a Tarso Genro, Arraes pensa de outra forma. Vê nele potencial competitivo e admite integrar uma frente em torno de seu nome. Tarso conta também com a simpatia da ala xiita do PT, presentemente em rota de colisão com Lula em face do resultado da convenção estadual fluminense, que recusou aliança com o PDT.
O conflito do PT, até aqui, não alterou o favoritismo de Fernando Henrique, nem se reflete na própria candidatura Lula. Mas é certo que os desdobramentos do processo hão de influir. Se o PT mantiver Lula, tende a isolar-se na campanha. Se o substituir, adquire condições de selar novas alianças, atraindo o centro.
É pelo menos esse o temor dos observadores governistas, que, claro, torcem por Lula.

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