Ruy Fabiano
Oposição se
movimenta
Não há dúvida de que o impasse interno do PT, que põe em suspense a candidatura de Lula à presidência da República, influi no comportamento e planos dos demais partidos de oposição. Enquanto no PDT a consequência imediata foi o lançamento da candidatura presidencial de Brizola, no PMDB está sendo a de rever o apoio a Fernando Henrique.
Os ex-presidentes Itamar Franco e José Sarney são peças-chaves nesse processo. Sarney mantém-se reservado, embora adote, em seus artigos na imprensa, tom claramente crítico às políticas do governo Fernando Henrique. Itamar, de sua parte, continua disposto a submeter sua candidatura presidencial à convenção nacional, no próximo mês.
O comparecimento maciço de lideranças do estado a uma reunião do PMDB mineiro, segunda-feira passada, em que pontificou Itamar Franco, mostrou que o partido não descartou a idéia de candidatura própria. O enfraquecimento da candidatura FHC, atestado por pesquisas, soma-se à falta de perspectivas da candidatura Lula.
Embora a candidatura do presidente da República seja ainda, com alguma folga, a favorita, constata-se que não apenas está em declínio, como há imenso vazio político que pode ser preenchido com êxito por um nome de centro-esquerda.
O impasse do PT acabou sacudindo os partidos oposicionistas - O PMDB, em especial - do torpor em que estavam. Ao tempo da convenção nacional anterior do partido, em março, o cenário sucessório parecia definido entre Fernando Henrique e Lula, que pareciam destinados a repetir o resultado de 1994. Com a cisão no PT e a ameaça de Lula de não se candidatar, o panorama mudou.
Tornou-se viável uma candidatura de centro-esquerda, desde que aglutine apoio dos principais partidos de oposição. Brizola e Ciro Gomes querem ser esse nome, mas enfrentam dificuldades. Brizola, além de não dispor do apoio de uma estrutura partidária nacional, sustenta discurso considerado antiquado e de nenhum poder aglutinador.
Promete, por exemplo, desprivatizar tudo o que foi privatizado até aqui, o que simplesmente o torna tão restritivo e solitário quanto Vladimir Palmeira, seu arquiinimigo da ala xiita do PT.
Ciro Gomes, cujo discurso é tido como mais moderno e eficaz, carece também de estrutura. O PPS, sua legenda, é mais uma intenção que um partido. A menos que a oposição se una em torno de seu nome, terá escassas chances de chegar ao público, já que o tempo a seu dispor no horário eleitoral gratuito será de segundos.
O PMDB dissidente - de Paes de Andrade e Itamar Franco - avalia suas forças para novo desafio à facção governista em sua convenção de 14 de junho próximo. Paralelamente, conversa com lideranças oposicionistas, em especial o governador Miguel Arraes, do PSB, cuja posição, até aqui, continua enigmática.

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