Ruy Fabiano
Ruy Fabiano
O racha
no PT
O encontro de sexta-feira entre Lula e Vladimir Palmeira em São Paulo pode acirrar ainda mais os ânimos dentro do PT. Não há sinais de entendimento entre as facções moderada e xiita do partido.
Lula condicionou a manutenção de sua candidatura à presidência da República à renúncia de Vladimir Palmeira à candidatura a governador do Rio. Palmeira nem cogita de tal recuo e avisou que levará a decisão da convenção fluminense às últimas consequências.
As divergências entre as duas facções não são novidade. Vêm de longe, embora sempre administradas pelo interesse comum em manter-se unidas sob a mesma estrutura e mística partidárias. O fato novo é o impasse criado, que não apresenta saídas para os mediadores.
O PT foi sempre um saco de gatos de facções esquerdistas. Lula, enquanto funcionou como elo entre essas correntes, foi liderança inconteste do partido. Hoje, embora seja ainda a maior expressão política do partido, perde a capacidade de mantê-lo unido - e vê seu prestígio de líder diluir-se de maneira inapelável.
O que, na verdade, separa as duas correntes é a estratégia de alianças. Lula entende que, sem se abrir para alianças ao centro, o PT não terá chances de conquistar o poder. Continuará competindo, competindo, sem meios de triunfar. A facção radical do partido, que mal suporta alianças com os próprios moderados petistas, exconjura tal pensamento. Prefere competir e perder a vencer e compartilhar.
No caso presente, foi a rejeição a uma liança com o PDT, que não é exatamente um partido de direita, que levou os radicais do PT fluminense a desafiar a direção nacional. Há uma solução técnica: o diretório nacional do partido intervir no diretório estadual e revogar a candidatura de Vladimir Palmeira, mantendo a aliança com o PDT.
Essa solução, no entanto, coloca o partido em pé de guerra às vésperas das eleições, enfraquecendo-o e liquidando as escassas chances de competitividade que eventualmente possua. O deputado Milton Temer, um dos líderes xiitas, avisou: se o diretório nacional intervier o partido não apenas se dividirá: implodirá definitivamente.
A alternativa política é, pela via do diálogo, convencer os xiitas da estupidez estratégica que representa a posição adotada. Também por aí não há sinais animadores. Diversos mensageiros de Lula buscaram, nos últimos dias, entendimento com as lideranças xiitas, sobretudo com Vladimir Palmeira e Milton Temer.
Até aqui, nada feito. Todos se mostram intransigentes e ressentidos. Os fluminenses consideram uma heresia revogar decisão soberana e democrática de uma convenção. A cúpula nacional não está preocupada com formalismos: quer preservar a aliança com o PDT.
Mantendo-se o quadro, a candidatura Lula marcha isolada, sem atrair aliados em outros partidos. Para o conjunto da oposição, pode não ser um mau negócio. Com vários candidatos avulsos - Lula, Brizola e Ciro Gomes, até aqui -, é possível que fique mais fácil garantir o segundo turno, quando, então, as alianças serão inevitáveis.





