A candidatura presidencial de Leonel Brizola tem a força e a fragilidade dos que nada têm a perder. Brizola posiciona-se como franco-atirador. Sabe que seu partido, o PDT, é de baixo calibre, com ação restrita a dois estados - Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Não está, pois, em condições, sobretudo numa eleição casada, que envolve disputas simultâneas para praticamente todos os cargos eletivos da República, de triunfar sobre grandes estruturas partidárias. Brizola, no entanto, percebeu que há um espaço a ser ocupado.
A crise interna do PT, que resultou no colapso da candidatura Lula e no rompimento da aliança com o PDT - a única que as esquerdas haviam conseguido selar -, deixou vazio o campo eleitoral oposicionista. Há, é bem verdade, a candidatura Ciro Gomes, do PPS. Mas, como o PPS é ainda menor que o PDT e não conseguiu interlocução à esquerda, não está, por enquanto, em condições de ocupar o espaço.
E é justamente para evitar que venha a consegui-lo que Brizola buscou antecipar-se. As lideranças de esquerda sabem que precisam unir-se para enfrentar Fernando Henrique. Lula era o nome mais evidente, mas agora está de saída. Não quer oferecer o pescoço à degola - e acha que isso tornou-se inevitável desde a quebra da aliança com o PDT.
Sem ele, como pensar em alianças? Não há outra referência em torno da qual se possa iniciar nova conversa. Brizola acha que pode ser essa referência, que sirva como ponto de partida para nova rodada de conversações. Ciro Gomes, cuja militância política tem origem conservadora - começou no falecido PDS, passou para o PSDB de Tasso Jereissati e foi ministro de Itamar Franco -, sofre rejeições em diversas alas da esquerda. O PT, por exemplo, o veta.
Mas, se não aparecer ninguém, é possível que, por gravitação, Ciro acabe sendo o nome disponível nas oposições, a que a esquerda terá que se curvar, caso não apresente outro nome mais credenciado.
É aí que entra Brizola. Ele joga na hipótese de aliança apenas no segundo turno. Acredita que o PT lançará outro nome no lugar de Lula - Tarso Genro, por exemplo - e o PPS vai de Ciro Gomes.
Essas candidaturas, acredita, forçarão um segundo turno contra Fernando Henrique. Considera-se mais credenciado que seus adversários na oposição para estar no segundo turno e provocar uma mega-aliança de centro-esquerda contra a candidatura oficial de Fernando Henrique.
O raciocínio não é infundado, mas por enquanto é mero exercício de futurologia. Brizola, porém, nada tem a perder. Pode investir em moinhos de vento sem temer efeitos colaterais. No mínimo, sua candidatura o torna um negociador mais qualificado no campo oposicionista, o que, considerando-se as dimensões de seu partido e a circunstância de que não exerce nenhum mandato há anos, não é pouca coisa.

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