O rompimento da aliança PT-PDT zera a sucessão presidencial, do ponto de vista da oposição. Volta-se ao ponto de partida - isto é, a coisa nenhuma. Reúnem-se, mais uma vez, Miguel Arraes, Lula e Brizola, em torno de suas próprias perplexidades.
Não há sinais de um nome que possa mantê-los unidos. E não há chances de vitória se marcharem separados. Esse o dilema, incontornável. O PSB, de Arraes, estimulou vários nomes - Itamar Franco, Ciro Gomes, Sarney - e não optou por nenhum. Continua em cima do muro.
O PT, antes de optar por Lula, cogitou de Tarso Genro. A alternativa continua disponível, mas não parece tão atraente. O próprio Tarso, em princípio, não quer. E há Brizola, cujas chances são quase imaginárias. Ele se diz disposto ao ‘‘sacrifício’’. Os outros, porém, é que não parecem dispostos a sacrificá-lo. Na eleição passada, Brizola perdeu para Enéas. Na atual, pode até ter melhor desempenho, mas chances de vencer, aparentemente, nenhuma.
Do ponto de vista do governo, Brizola e Lula, juntos, eram menos intimidantes. Separados, podem provocar um segundo turno. Fernando Henrique teme o segundo turno, sobretudo se lhe couber enfrentar um candidato não radical - um Ciro Gomes, por exemplo. O que o tranquiliza é a monumental incapacidade das esquerdas de se unir.
Se, por exemplo, decidissem apoiar um nome de centro, como Ciro, os alicerces da candidatura Fernando Henrique tremeriam. O PT, no entanto, descarta essa hipótese. Já abominou reiteradas vezes a candidatura Ciro e questiona a do próprio Lula. Se há mais tempo a oposição tivesse cuidado do assunto, teria hoje mais alternativas.
Nomes de maior peso, como Itamar e Sarney, poderiam ter trocado de partido para favorecer o lançamento de candidaturas. Hoje, já não há mais prazo; ambos são prisioneiros da legenda do PMDB, que optou por aliar-se à reeleição de Fernando Henrique.
Tarso Genro, nome que encontra simpatia junto a Brizola e Arraes, receia as circunstâncias em que seu nome está novamente sendo lembrado. Desde o início dos debates sucessórios, ainda em meados do ano passado, insistia em que a definição do candidato do PT acontecesse no máximo até dezembro.
Caso contrário, não haveria tempo hábil para firmá-lo nacionalmente - a não ser, claro, que esse nome fosse o de Lula, já bastante conhecido. Lula, que não queria o nome de Tarso, trabalhou para que a definição fosse retardada e ele, Tarso, desistisse. Conseguiu.
Não esperava, porém, uma surpresa como a que lhe preparou há dias a seção fluminense do partido, inviabilizando-o. Como a sucessão foi zerada, tudo o que já foi visto, em princípio, pode ser revisto, embora com menos alternativas, tendo em vista o fim dos prazos de filiação partidária. A oposição sabe que Fernando Henrique perde popularidade, mas não encontra meios de capitalizá-la.

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