Ruy Fabiano
O governador do Espirito Santo, Victor Buaiz, que trocou o PT pelo PV (partido Verde), acredita que Ciro Gomes, o candidato do PPS à Previdência da República, será o beneficiado dos prejuízos políticos que Fernando Henrique terá com as perdas políticas recentes de Sérgio Motta (PSDB) e Luís Eduardo Magalhães (PFL).
Buaiz acha que, sem os seus principais articuladores, o presidente perderá espaço no Congresso e não conseguirá aprovar as reformas agendadas para este ano, o que lhe trará enormes desgastes nos próximos meses perante suas bases políticas e empresariais.
O governador não crê que Lula tenha condições políticas de capitalizar os revezes de Fernando Henrique, em face do radicalismo de sua base de apoio. Ciro Gomes, mais ecumênico em suas alianças, seria o nome alternativo a um eventual fracasso de Fernando Henrique.
O partido de Buaiz, claro, apóia Ciro Gomes. É natural, pois, que o governador procure valorizá-lo na sua avaliação sucessória. Mas, mesmo abstraindo-se essa circunstância, há cabimento no que diz. O presidente Fernando Henrique está diante de delicado desafio, pois a morte de seus principais articuladores - sobretudo Luís Eduardo, já que Motta estava fora de circulação há mais tempo - zera as negociações em curso pela aprovação da reforma da Previdência.
Os partidos da base de apoio do governo já haviam acertado com Luís Eduardo aprovar as emendas feitas no Senado, mas agora o que se diz é que havia apenas a intenção de fazê-lo. Tudo volta ao ponto de partida. O presidente está tão ciente da enrascada que decidiu tratar pessoalmente da questão. Vai ele próprio telefonar um a um a seus aliados falando da importância dessa votação e pedindo o voto.
Quem agia assim, com êxito, era o marechal Castello Branco, primeiro presidente do regime militar. A conjuntura política naturalmente era outra, outros fatores exerciam poder indutor sobre os parlamentares. Fernando Henrique, porém, crê na eficácia de sua sedução verbal - mais com certeza do que em seu ministro da Reforma Institucional, Freitas Neto, cuja estréia, ao que parece, será adiada. O presidente já avisou que cuidará do assunto pessoalmente.
A proposta da ética da ambiguidade, a que se referiu há duas semanas o presidente da República, o alto comando do PMDB já não faz tanta pressão para depor da presidência do Partido o deputado Paes de Andrade.
Paes, adepto da candidatura própria - e contrário, pois, à coligação com a candidatura Fernando Henrique -, admite conviver com um articulador político que represente o partido junto ao presidente da República. Mas não abre mão nem do cargo, nem do direito de Itamar Franco reapresentar sua canditatura presidencial na convenção nacional de junho. Os governistas do partido já não protestam.
Por via das dúvidas, quem sabe, é uma porta aberta para a eventualidade de as previsões de Victor Buaiz se confirmarem.





