Ruy Fabiano
O governador do Ceará, Tasso Jereissati, tornou-se uma das grandes esfinges do quadro político sucessório. Amigo íntimo de Ciro Gomes, é também uma espécie de conselheiro do presidente da República, nome sempre lembrado para a sucessão de 2002.
Com a morte de Sérgio Motta, Tasso tem sido um dos nomes aventados dentro do PSDB para as funções de coordenador político dos tucanos. Ele é uma liderança nordestina atípica, na medida em que consegue transitar bem junto às bases paulistanas do partido.
Não era o caso, por exemplo, de Ciro Gomes, que ocupou o Ministério da Fazenda, no final do governo Itamar, trombando com o empresariado paulista. Tasso, como empresário, integra a elite econômica paulista, e tem um irmão, Carlos Jereissati, na direção da Fiesp. Com essa dupla face, não poderia deixar de ser um elo estratégico no crônico conflito regional da política brasileira.
O presidente Fernando Henrique empenhou-se em trazê-lo mais para perto na reforma ministerial, o que implicaria renunciar ao resto de mandato no governo cearence e ao projeto de reeleição. Isso o tornaria peça-chave na reeleição de Fernando Henrique.
Tasso não quis. Preferiu continuar no Ceará, envolvido com a própria reeleição. Esse gesto reclusivo, incomum num político com ambições bem mais abrangentes que a de voltar a governar o seu Estado pela terceira vez, chama a atenção dos analistas.
No Ceará, há várias versões. Uma diz que ele estaria constrangido pela candidatura de Ciro Gomes, cuja carreira política nasceu sob seu patrocínio. Não podendo romper com o afilhado, ao qual o ligam laços de amizade não comprometida pela opção política de Ciro, Tasso teria preferido não se envolver na reeleição de Fernando Henrique. Como bom tucano, estaria em cima do muro, aguardando os acontecimentos para decidir de que lado saltar.
Outra versão o coloca no centro de uma conspiração maquiavélica, de abrangência bem mais ampla que as fronteiras do Ceará. Pode não ser verossímil, mas circula, sobretudo dentro do PT. Diz que a candidatrua Ciro Gomes, pelo PPS, é um grande jogo de cena para dividir as oposições e favorecer Fernando Henrique. Tasso seria o grande mentor e gestor de tudo, tendo como contrapartida o apoio do amigo Fernando Henrique para a próxima sucessão presidencial.
Há, por fim, a versão de que, descrente das chances efetivas de Fernando Henrique, Tasso já estaria criando alternativas futuras para seu projeto político. Não apóia nem critica a candidatura de Ciro e mantém-se à distância da de Fernando Henrique. Seja qual for o resultado, disporia de acesso ao vitorioso.
Se são especulações infundadas, o tempo dirá. O certo é que Tasso é o favorito de Fernando Henrique para substituir Motta - e não se registra até aqui nenhuma manifestação de entusiasmo do governador cearense quanto a isso.





