O governador Mário Covas ainda não desistiu de cooptar o PFL paulista à sua candidatura. Mas as perspectivas de êxito continuam remotíssimas. Além de dificuldades no âmbito político local - composição das chapas proporcionais e disputa de cargos no atual e futuro mandatos, entre outras coisas, Covas esbarra na hostilidade do PFL nacional, que prefere a aliança com Paulo Maluf.
O que está em pauta para o PFL nacional não é a eleição deste ano, mas a de 2002. Se vitorioso nas eleições estaduais, Mário Covas é visto como potencial candidato à sucessão presidencial - e, na hipótese de Fernando Henrique ser reeleito, dificilmente deixaria de ter o seu apoio. Com Maluf, dá-se o inverso.
Pode até conquistar na atual eleição estadual a neutralidade do presidente, mas ninguém crê que, na sucessão de 2002, consiga repetir a proeza. Certamente estarão em palanques diferentes. Entre apoiá-lo e, por exemplo, apoiar alguém do PFL, os pefelistas não têm dúvida de que o presidente optaria por eles.
Como o PFL quer emplacar Luís Eduardo Magalhães em 2002 - e até já fez menção pública disso recentemente - é claro que prefere fortalecer Paulo Maluf agora para tê-lo como adversário naquela oportunidade. Os acordos e parcerias da eleição deste ano assemelham-se a um jogo de sinuca. Não basta encaçapar a bola da vez - é preciso simultaneamente preparar a jogada seguinte.
O PFL paulista está dividido quanto às eleições estaduais. De um lado, defende lançamento da candidatura do senador Romeu Tuma; de outro, quer se aliar a Paulo Maluf. Há ainda pequena parcela que está sendo abordada pelos adeptos de Covas, mas cuja adesão só teria alguma chance na hipótese, absolutamente improvável, de o governador abrir espaços generosos nos escalões de seu governo.
Ainda que o quisesse, esbarraria nos interesses estratificados de seu próprio partido. Covas estaria disposto a ceder aos pefelistas, além da vice-governança, a vaga de senador, mas o partido quer mais. Quer cargos já no atual governo, com o compromisso de preservá-los no curso do próximo. Dois desses cargos são a Secretaria da Habitação e a presidência da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano, filés fisiológicos cobiçadíssimos, cuja entrega a outro partido abriria crise dentro do próprio PSDB.
Covas garante que não comprometerá a qualidade de seu governo em função de alianças eleitorais. Em política, essas garantias não costumam ser levadas a sério. Basta ver a recente reforma ministerial do presidente Fernando Henrique, iniciada sob o mesmo compromisso e concluída nos termos já conhecidos.
Covas, aliás, garantia que nem sequer seria candidato. Chegou a desafiar os jornalistas a que lhe cobrassem mais adiante esse compromisso. Hoje, irrita-se quando o tema é mencionado.

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