Certa vez, em pleno governo Médici, um ministro queixou-se ao presidente dos superpoderes do então ministro da Fazenda, Delfim Netto. Médici teria respondido: ‘‘Não existe ministério forte; existe ministro fraco’’. A síntese do raciocínio é esta: quem dá a dimensão política do ministério é quem o ocupa, não o contrário.
No caso, a personalidade forte de Delfim -ou a personalidade fraca de seus colegas - fazia a diferenca. O preâmbulo vem a propósito do Ministério da Articulação Política, criado para abrigar um peemedebista, o deputado Luiz Carlos Santos, que depois tornou-se pefelista. Nas duas condições, manteve-se ausente do processo de articulação politica, que passou ao largo de seu gabinete.
É como se o ministério não existisse. Ficou de tal forma ofuscado que ninguém, nem mesmo o PMDB, destinatário original daquela pasta, lembrou-se de reivindicá-la quando Santos deixou o partido. Pensou-se, inclusive, que a tendência natural do ministério era ser extinto, o que não seria nada trabalhoso: como não chegou a existir, bastava fingir que nunca fora criado.
O PFL, no entanto, pensou um pouco e decidiu preservá-lo. Nenhum espaco de poder, sobretudo no primeiro escalão, por mais insignificante que pareça, deve ser desprezado - é a filosofia do partido. E eis que ninguém menos que o próprio presidente do partido, Jorge Bornhausen, está agora sendo cotado para ocupá-lo.
O raciocínio é objetivo: Bornhausen não é Luis Carlos Santos. Tem mais talento e apetite para a articulação política. Logo, o ministério pode ganhar dimensão e importância. Nesse caso, no entanto, pode também tornar-se problemático e despertar a cobiça dos outros aliados. Na verdade, a articulação política do governo, desde o início, estava nas mãos do ministro Sergio Motta, que é do PSDB.
Na medida em que o PFL tornou-se mais influente no governo, passou a trombar com Motta, que chegou a hostilizá-lo publicamente em mais de uma oportunidade. Nesses termos, a articulação política tornou-se extremamente complicada, na medida em que, em vez de unir, tornou ainda mais nítida a linha divisória entre os aliados. E ninguém, a não ser o próprio Fernando Henrique, dispõe de meios de operá-la plenamente.
Assim tem sido. O deputado Luis Eduardo Magalhães (PFL-BA), lider do governo na Câmara, articula parte dos aliados, enquanto Motta, antes de sair de cena para tratar da saúde, articulava outra parte, e o presidente a ambos. Luiz Carlos Santos, claro, não articulou coisa alguma, a não ser a parceira do PFL paulista com Paulo Maluf, que tem como resultado a candidatura a vice-governador de São Paulo.
Se Bornhausen for mesmo o indicado, estará de volta a um espaco que conhece com alguma intimidade. Afinal, ja exerceu a função de coordenador político no governo Collor.

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