Ruy Fabiano
No é preciso ser expert em análise do comportamento humano para constatar a veracidade do diagnóstico do candidato a candidato a governador do Rio pelo PT, Vladimir Palmeira: Brizola está procurando um pretexto para não ser mais o vice de Lula.
De fato, há muito Brizola exibe grande desconforto com essa hipótese, por ele mesmo sugerida, num momento de fugaz entusiasmo. Quando Brizola se dispôs a uma parceria em posição secundária (algo que, diga-se, não é de seu feitio), o PT vivia outra realidade.
Estava em curso disputa interna pela presidência nacional do partido. De um lado, a corrente mais radical, a mesma que agora se expressa por meio de Vladimir Palmeira, que tinha como candidato o deputado Milton Temer (RJ). De outro, José Dirceu, ligado a Lula, que acabou se reelegendo. Interessava a Brizola derrotar os xiitas.
Foi em plena discussão interna do PT que Brizola anunciou que topava ser o vice de Lula, o que acabou tendo considerável importância no triunfo da ala moderada na eleição interna. De lá para cá, muita coisa mudou. Primeiro as pesquisas mostraram que a junção de Brizola e Lula não melhora a situação eleitoral de nenhum dos dois.
Eles colhem votos nas mesmas bases e são também rejeitados pelos mesmos setores da sociedade. É uma parceria que, como se diz em linguagem administrativa, não agrega valores. Se, hipoteticamente, Lula se unisse a Ciro Gomes ou a Itamar Franco, a situação seria diferente. Cada qual fala com públicos diferentes e teria meios de somar votos, ameaçando o favoritismo da candidatura oficial.
Brizola certamente não desconhecia essa circunstância quando se dispôs a submenter-se a Lula. O que aparentemente buscou foi assegurar boas alianças regionais para o PDT, sobretudo nos estados onde o partido é mais expressivo: Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
No Rio Grande, o PDT apoiaria o candidato petista para o governo estadual, contentando-se com o Senado. Mas no Rio seria o contrário: o governo ficaria com o PDT. Não está dando certo. A seção fluminense do PT não engole Brizola, nem seu candidato ao governo do Rio, Anthony Garotinho, acusado de ser político fisiológico, absolutamente distante da doutrina petista.
Brizola também desconhecia essa dificuldade, com que lida há anos. Imaginou, porém, que, submentendo-se à condição de vice de Lula, mereceria da direção nacional do PT um gesto mais afirmativo para conter a rebeldia fluminense. Em resumo, supôs que Lula interviria no PT carioca e o faria engolir a seco o candidato do PDT.
É assim que as coisas funcionam no PDT - e foi assim que funcionaram no Rio Grande do Sul. Lula, porém, não tem essa força no PT. Se o fizesse, enfrentaria a ira xiita. O PT fluminense, tal como o PMDB nacional, está diante de um dilema: ter ou não candidato próprio. Com a diferença que ali não há dúvida de que a candidatura própria vence. Não é por outro motivo que Brizola já decidiu desembarcar da aliança.





