O processo de retaliação do presidente nacional do PMDB, Paes de Andrade, já está em curso. A cúpula governista do partido não aceita os argumentos de que se deva buscar conciliação com os perdedores e quer o cargo de Paes, que se recusa a renunciar.
As pressões são de toda ordem, e até o assessor de imprensa do presidente do PMDB foi exonerado esta semana, sem aviso prévio, por iniciativa do líder do partido na Câmara, Geddel Vieira Lima. Paes sentiu-se desrespeitado e violentado em suas prerrogativas de presidente nacional do partido. Foi, sem dúvida, um gesto deselegante.
O líder do PMDB, no entanto, diz que guerra é guerra e desconfia da retórica pacificadora de Paes, que continua trabalhando para que a tese da candidatura própria triunfe na convenção de junho.
O PMDB foi sempre um partido de muitos feudos, cujos antagonismos, no entanto, acabavam encontrando um modo de convivência sem vítimas. Houve momentos, porém, em que o espaço foi pequeno para o teor de algumas divergências. Em 1988, por exemplo, o quercismo dominante expeliu a então chamada esquerda do PMDB, que deixou o partido e fundou o PSDB. Entre os expelidos, estava Fernando Henrique Cardoso.
Hoje, o quadro é semelhante. A facção comandada por Paes, Itamar Franco e Roberto Requião decidiu desafiar e levar às últimas consequências sua oposição à candidatura reeletiva de Fernando Henrique. Nessa queda de braço, ambas as partes jogaram todos os trunfos, numa guerra de vida ou morte.
Os governistas vitoriosos perguntam, diante das queixas de Paes e Itamar: e o que aconteceria se eles tivessem vencido? Um ministro peemedebista que pede para não ser identificado achou patética a frase do ex-presidente Itamar, em recente entrevista: ‘‘Gostaria de saber que mal fiz ao sr. Fernando Henrique’’.
Segundo ele, a pergunta teria mais procedência na boca do presidente da República. Itamar, afinal, é que o desafiou, mesmo sendo funcionário de confiança de seu governo e seu amigo particular. De fato, pelo menos numa leitura inicial, a observação faz sentido.
A unidade peemedebista não está ameaçada, mas é inevitável que a porção vitoriosa continue caçando a pauladas os cabeças da facção derrotada. Não é, obviamente, atitude nobre ou cavalheiresca, mas as regras desse jogo, goste-se ou não disso, jamais se dispuseram a sê-lo. Muito pelo contrário.
Paes está desgostoso com o tratamento recebido e não faltam bombeiros partidários propondo que seja preservado em nome da unidade partidária. Não há sinais, porém, de que isso venha a acontecer.
A visão governista é exatamente oposta: sua continuidade no cargo teria peso simbólico adverso para os vitoriosos, alimentando a idéia de rebeldia até a próxima convenção. O governo trabalha para que a convenção de junho seja meramente homologatória da decisão já tomada na deste mês. Daí o empenho em arrasar a trincheira adversária.
O bombardeio continua e a munição que o alimenta está estocada no Palácio do Planalto.

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