O ex-presidente Itamar Franco está em vias de se transformar no anti-FHC tão buscado pela oposição. Na próxima quarta-feira, uma comitiva de representantes dos partidos de oposição planeja ir a Juiz de Fora solidarizar-se com Itamar pelo tratamento adverso recebido na convenção do PMDB, quando foi hostilizado pelos governistas.
Itamar, no entanto, não parece eufórico com essa distinção. Não está certo se irá adiante nesse papel oposicionista. Na verdade, alimenta ainda a esperança de obter legenda do PMDB para candidatar-se ao governo de Minas. Os sinais, porém, não são animadores.
O ex-governador Newton Cardoso, que controla os diretórios do PMDB de Minas, quer ele próprio ser o candidato e já disse que não pensa em desistir. As bases, diz ele, já não aceitariam. Há alguns meses, o próprio Newton Cardoso havia se interessado pela candidatura de Itamar, mas este ainda não sabia exatamente o que queria (o que não parece ter mudado muito) e para que partido entraria.
A situação do ex-presidente é complexa. Ao desafiar o governo do qual faz parte - é, afinal, embaixador na OEA -, disse adeus ao cargo. Está virtualmente desempregado. Para continuar presente no cenário político, precisa de um mandato. O plano de candidatar-se a presidente da República fracassou. Ele remete a decisão final à convenção de junho próximo, mas sabe que as probabilidades de reversão de tendências são remotas, remotíssimas mesmo.
É bem verdade que em maio haverá renovação dos diretórios regionais, o que mudará o perfil dos convencionais, mas isso não altera a essência do problema. A proximidade das eleições fortalece os vínculos do partido com o governo - não o contrário. Em resumo, para presidente, a menos que o imponderável se apresente, não dá mesmo.
Resta disputar o governo de Minas, o Senado ou a Câmara. O governo mineiro está nas mãos do dono do partido no estado, Newton Cardoso. O Senado era uma possibilidade concreta e escancarada até a convenção. Agora, já não é. Itamar queimou-se e não recuperará espaço tão facilmente. Resta a Câmara, que não parece seduzi-lo. Suas pretensões de ex-presidente são maiores.
A oposição tenta atraí-lo como trunfo de campanha: Ciro Gomes, de um lado; Lula, de outro. Fernando Henrique já declarou, mais de uma vez, que se sentiria constrangido em enfrentar Itamar, de quem foi ministro e por quem foi lançado candidato a presidente.
Os aliados de Itamar dizem que esse constrangimento tem origem na quebra de um compromisso. O lançamento da candidatura de Fernando Henrique, em 1994, estaria vinculado ao compromisso de reciprocidade de 1998. As oposições, por essa e outras razões, intuem que Itamar é um aliado com enorme potencial para infernizar Fernando Henrique.
O problema está em convencê-lo a colocar azeitona na empada alheia - na de Lula ou de Ciro - e não na própria.

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