Ruy Fabiano
O apoio dos dissidente do PMDB está sendo sonhado pelo PT e pelo PPS. O PT chegou a suspender um encontro nacional, na expectativa de melhor definir o quadro de alianças. Ciro Gomes (PPS), por sua vez, está certo de que Itamar Franco, posto à margem da sucessão, irá apoiá-lo. Os dois estariam assim acertados.
A verdade é que, por enquanto, o único traço de união entre os oposicionistas é a repulsa à candidatura de Fernando Henrique. Tudo o mais é confuso. Brizola e Lula, após curto período de elogios recíprocos, voltaram a trocar farpas como antigamente.
Miguel Arraes, presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, continua enigmático. Foi o responsável pelo lançamento da candidatura Ciro Gomes, mas não o acolheu em seu partido. Incentivou a dissidência de Itamar e Requião, contornou o assédio do PT e não disse ainda o que pretende fazer após a convenção do PMDB.
Parte exepressiva do PSB quer aliar-se à candidatura Lula, com a qual Arraes não simpatiza. Acha que Lula está fadado a garantir a vitória de Fernando Henrique no primeiro turno. As bases do PSB querem, no entanto, essa aliança, pois garante em diversos estados a eleição de bancadas razoáveis ao partido.
A sucessão, como se vê, está embolada. Sem unidade oposicionista, é difícil ao PT evitar a repetição do fiasco de 1994. A aliança governista, reforçada pela presença peemedebista, só será vencida se houver coesão entre seus adversários. O apoio dos dissidentes do PMDB não deve alterar substantivamente nada.
Primeiro, porque a dissidência peemedebista não é homegênea. Tem também divergências internas. O PMDB de Quércia, por exemplo, não é aceito pela ala mais radical do PT, que também faz restrições a Itamar Franco. Na esquerda, apenas o senador Roberto Requião parece ter alguma aceitação, muito embora se questione o que seu apoio representa em termos de transferência de votos.
Há ainda a circunstância de a eleição deste ano ser casada, elegendo desde deputados estaduais até o presidente da República. Isso reforça a importância da estrutura partidária, cujo comando passa inevitavelmente pelos governadores. O peso da dissidência, em tal contexto, é quase nenhum.
A derrota peemedebista embaraçou ainda mais o quadro sucessório oposicionista. Ninguém sabe exatamente o que fazer. O que torna tudo ainda mais confuso e transitório é a afirmação, repetida obsessivamente por dissidentes peemedebistas, como Requião e Itamar, de que a luta continua até junho, quando nova convenção nacional formalizará em termos definitivos a opção sucessória do PMDB.
De fato, é aquela convenção que dará a palavra final, mas, a menos que o imponderável sobrevenha, nada faz crer que a opção reeletiva recuará. Ao contrário, tende a consolidar-se mediante o atendimento aos pleitos clientelísticos do partido.





