Ruy Fabiano
O toma-la-dá-cá entre o senador Roberto Requião e ex-prefeitos paranaenses que com ele conviveram à época em que governou o estado ainda não terminou. Pelo visto, não terminará nunca.
Esta coluna publicou há dois dias afirmações do senador de que, quando no governo, jamais discriminou prefeitos adversários, repassando-lhes as verbas a que faziam jus, sem maiores contratempos. Apenas sentia-se no direito de badalar publicamente sua isenção.
O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, atual chefe da Casa Civil do governador Jaime Lerner, contra-ataca, dizendo que tudo isso é mentira deslavada. Roberto Requião, segundo ele, ia bem além dos gestos de discriminação que hoje aponta no governo federal.
Depois de chamá-lo de inconsequente, odioso e fraudulento, Greca diz que o esquema montado por Requião para discriminar seus adversários era comandado pessoalmente por ele e mais três assessores diretos: o então líder do PMDB na Assembléia, Renato Adur, o chefe da Casa Civil, Caito Quintana, e Eduardo Requião, seu irmão.
Esse grupo controlava não só o acesso ao Palácio Iguaçu, sede do governo, como a destinação dos recursos do Estado e de convênios para as prefeituras. Em síntese, prevalecia o seguinte procedimento: ou os prefeitos filiavam-se ao PMDB ou não conseguiam nada do governo estadual. Antes de serem recebidos pelo governador, recebiam do funcionário palaciano uma ficha de filiação ao partido. Ou a assinavam ou então voltassem para casa.
Houve casos em que Requião teria entregue cheques de convênio ao presidente do PMDB local, para que este faturasse publicitariamente o episódio e só depois o repassasse ao prefeito. O ex-prefeito de Grande Rios, Gilberto Ricieri, do PDT, nunca foi recebido por Requião e chegou mesmo a ser fisicamente barrado à porta do Palácio.
Requião, segundo o ex-prefeito de Pitanga, Altair Zampier (PSB), classificava os prefeitos em três graus diferentes - e os que estavam na rubrica C, como ele, eram simplesmente ignorados. Numa ocasião, Requião repassou cheque de convênio educacional com o município por meio do candidato do PMDB a prefeito derrotado nas eleições, que não tinha fé pública para receber recursos públicos.
O bate-boca não tem fim. E evidencia que a política regional brasileira consegue ir a níveis mais baixos que a nacional. O estilo Requião não selecionou adjetivos. As respostas, claro, mantêm o padrão. Diante do que dele dizem os ex-prefeitos adversários, as acusações que faz de manipulações políticas do orçamento, aos ministros Luís Carlos Santos e Carlos Albuquerque, perdem impacto.
Greca, para ilustrar o estilo Requião, lembra que ele e o senador Osmar Dias protagonizaram, há semanas, no Senado, o último caso em toda a história do Brasil em que um senador negou voto para aprovação de créditos a seu Estado. E por aí vai.





