O senador José Sarney está sendo cogitado como alternativa para substituir o deputado Paes de Andrade na presidência nacional do PMDB, na convenção nacional do mês que vem.
A idéia, sugerida pelo deputado Paulo Lustosa (PMDB-CE) às lideranças governistas, que querem afastar Paes, evitaria um racha no partido, hoje dividido entre os que querem aliar-se à reeleição de Fernando Henrique e os que querem (como Paes) candidatura própria.
O partido vive momento decisivo de sua história. Há mesmo quem ache que, após a convenção do próximo mês, que definirá sua estratégia na sucessão, o partido, seja qual for o resultado, implodirá. Se a decisão, como parece provável, for a de aliar-se à candidatura de Fernando Henrique, o partido não comparecerá de corpo interio.
Parte expressiva, a começar pela seção paulista, comandada por Orestes Quércia, estará de fora. Desfigurado, o partido continuaria em posição subalterna na base política do governo, a reboque de PFL e PSDB. Se der zebra e prevalecer a tese de ruptura com o governo, idem.
A ala chapa branca, com forte presença dos governadores, não acompanhará os oposicionistas, que se integrarão à frente oposicionista. Nos termos em que o conflito está posto, há escassos espaços para negociação e poucos interlocutores capacitados a operá-los.
Um deles é o senador José Sarney, que, enigmático quanto à sucessão - diz que é candidato longe dos microfones e silencia diante deles - transita bem em ambas as facções. Lustosa, amigo pessoal de Paes, acredita que Sarney pode reduzir os danos do choque das duas facções peemedebistas, poupando o presidente do partido de uma violência política, qual seja a de ser defenestrado à força do cargo.
Supõe-se que, para Sarney, Paes passaria o cargo sem maiores protestos. Para o governo, a vantagem estaria em que, na presidência do PMDB, Sarney teria mais dificuldades em viabilizar eventual candidatura à presidência da República. Mais: por força do cargo, não poderia mais manter-se afastado do convívio palaciano.
Sarney não foi consultado ainda a respeito do assunto. Como é óbvio, não vai se apresentar espontaneamente. Sua condição de ex-presidente da República e de amigo pessoal de Paes o impediria. Sabe-se, porém, que não está indiferente à crise e que não se recusaria a dar sua contribuição para resolvê-la da melhor maneira possível.
Se nada for feito no sentido de reduzir a circulação de adrenalina em ambas as facções, a convenção do partido se transformará numa sala de espectáculos a serviço do senador Roberto Requião. Coadjuvado pelo PT, planeja servir-se da ocasião para pôr em prática sua especialidade maior: formular denúncias contra o governo federal. Não fosse por outros motivos, basta esse para que o Palácio não fique indiferente à idéia de uma saída pacífica para a crise.

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