Enquanto o presidente Fernando Henrique procura adiar ao máximo seu ingresso na corrida sucessória, os partidos de oposição, inversamente, antecipam o debate. Brizola cansou-se de esperar pelo PT e está sendo cortejado por Ciro Gomes, do PPS.
O PT, por sua vez, acompanha a luta interna do PMDB, na expectativa de uma aliança em torno do nome do senador Roberto Requião. Requião, porém, não é o único nome peemedebista a ser examinado, na hipótese (por enquanto imprevisível) de o partido vir a lançar candidato próprio. Há ainda Itamar Franco e José Sarney.
A ala governista do PMDB insiste em que derrubará a tese de candidatura própria no dia 15 de fevereiro, quando a convenção nacional se manifestará a respeito. Paes de Andrade, que comanda a ala oposicionista, diz que tem maioria. A ala governista diz o contrário. Tanto na oposição quanto no governo o fator complicador é a disputa regional.
A eleição, afinal, é casada. A maioria dos governadores pretende disputar a reeleição. Prevalece, em situações assim, a conveniência estrutural da campanha. É nisso que confiam os peemedebistas governistas. Acreditam que os governadores-candidatos hão de preferir atrelar-se à estrutura governista, apoiando a candidatura de Fernando Henrique. Eleição casada, dizem eles, não autoriza aventuras.
Paes raciocina com o contrário. Isto é, os governadores e o partido serão caudatários de uma aliança na qual ocupam posição secundária, tendo que se contentar com migalhas. As pesquisas mostram que o PMDB possui dois candidatos potenciais - Itamar Franco e José Sarney - capazes de forçar um segundo turno na eleição presidencial.
Abdicar disso e aderir, sem mais nem menos, diz Paes, equivale a suicídio político. Pode ser. Mas as articulações regionais falarão mais alto. Em São Paulo, o PMDB é Quércia - e, portanto, é oposição federal. Quércia ligou-se a Requião (seu ex-arquiinimigo) para estabelecer estratégias comuns nos dois planos. Requião favoreceria uma aliança de Quércia com a esquerda em São Paulo, recebendo em contrapartida apoio da base paulista para sua candidatura federal.
A aliança PT-PDT melou em função dos desentendimentos entre ambos os partidos nas mais expressivas bases brizolistas: Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Ciro Quer juntar o PPS ao PDT, o que não é difícil. Resta saber se essa soma produzirá algum resultado.
PPS e PDT, afinal, não chegam a ser potências partidárias. Ciro, nas pesquisas, é, por enquanto, um traço (o que também não é razão para ignorá-lo: a campanha está apenas no começo).
Esse é o quadro do ponto de vista oposicionista. Do ponto de vista governista, a confusão é ainda maior. Daí a precupação de Fernando Henrique de adiar ao máximo o início da campanha. Afinal, terá que retribuir apoio de aliados que estão em campos opostos nos estados. Se apoiar um, contraria o outro. Se não apoiar ninguém, contraria a todos. Não é fácil. A saída é ganhar tempo.

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