Como era previsível, a união PT-PDT na sucessão presidencial, mais uma vez, ficou apenas na intenção - se é que, de fato, houve mesmo intenção. Aparentemente, tanto Brizola como Lula, quando anunciaram a disposição de formar chapa única, com o PDT de vice, sabiam que estavam lançando ao espaço apenas mais um balão de ensaio.
Como o impacto imaginado não se confirmou, a idéia, que teria ainda que transpor múltiplos obstáculos em ambos os partidos, esvaziou-se. O balão, que não chegou a ganhar altura, murchou e caiu em lugar incerto e não sabido. Constatou-se que Brizola e Lula nada acrescentam um ao outro do ponto de vista eleitoral.
As áreas de rejeição e aprovação de ambos são praticamente as mesmas. Aglutinam apoio apenas à esquerda - e olhe lá. PPS e PSB, por exemplo, não os querem como candidatos. O centro, cuja adesão é fundamental para desestabilizar a candidatura de Fernando Henrique Cardoso, não os aceita. Os demais partidos de esquerda, por isso mesmo, ignoraram o casamento tardio entre os dois partidos. Tardio porque houve época em que essa aliança poderia ter resultado na conquista do poder.
Em 1989, Lula e Brizola lideraram a corrida presidencial até a metade da campanha. Marcharam, porém, separados e em rota de colisão. Cada qual reservava mais críticas ao outro que aos adversários ideológicos. Desse vazio de idéias, serviu-se Collor para ocupar os espaços de insatisfação e inconformidade na opinião pública.
Quando Lula e Brizola decidiram se unir, no segundo turno, já era tarde. Collor já havia conquistado amplas áreas do segmento popular. Apesar das lições daquele pleito, os dois partidos continuariam a brigar, quer no plano federal, quer no estadual. Ao admitir ser o vice de Lula, Brizola condicionou seu gesto à unidade no plano estadual, mais precisamente no Rio, seu domicílio eleitoral. Ele mesmo confessou que não chegou a ter ilusões quanto ao desfecho do precesso.
É no Rio que as relações entre os dois partidos se mostram mais problemáticas. O líder dos radicais petistas, deputado Milton Temer, que tem dificuldades em aceitar o próprio Lula, tem a pior das opiniões a respeito do PDT fluminense - e, sobretudo, de um de seus postulantes ao governo do Rio, o radialista Anthony Garotinho.
Temer critica a prática fisiológica e o discurso populista do brizolismo, que considera politicamente atrasado. A partir daí, pode-se dizer que a chapa Lula-Brizola já nasceu derrotada. As expectativas de união à esquerda, por enquanto remotas, ficam por conta de uma eventual decisão do PMDB de lançar candidato próprio.
Pertencem ao partido nada menos que três presidenciáveis: José Sarney, Itamar Franco e Roberto Requião. Dos três, apenas Requião, em tese, aglutina apoio à esquerda. O PT, por meio de Lula e José Dirceu, já declarou que admite abdicar de candidatura própria se Requião for o ungido do PMDB. Para que isso aconteça, é preciso que o partido se desatrele de Fernando Henrique e chegue a um consenso entre seus três presidenciáveis. Tudo isso, neste momento, soa bastante remoto, para dizer o mínimo.

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