Ruy Fabiano
Antes mesmo do início da campanha eleitoral, o presidente Fernando Henrique já está às voltas com pepinos monumentais em sua base de apoio. Fiquemos com dois, que se afiguram insolúveis: São Paulo e Paraná. Em São Paulo, o apoio presidencial é reivindicado por PSDB e PPB, que estarão disputando o governo estadual.
No Paraná, a disputa é entre tucanos e pefelistas. De um lado, o ex-governador Álvaro Dias, cacique do PSDB local; de outro, o governador Jaime Lerner, recém-migrado do PDT. O conflito é de tal ordem que Lerner diz que era mais bem tratado quando estava na oposição.
Em ambas as circunstâncias, Fernando Henrique não tem muito o que fazer. Ou, por outra, o que fizer poderá comprometê-lo ainda mais. Em São Paulo, os malufistas, que têm apoiado o governo no Congresso e estão engajados na reeleição, exigem participar do comitê nacional da campanha de Fernando Henrique. Se isso acontecer, serão coadjuvantes do PSDB, em igualdade de condições, o que tornará o palanque da reeleição forçosamente ecumênico em São Paulo.
O PSDB de Mário Covas recusa-se a admitir essa hipótese. Se Maluf obtiver espaço na direção da campanha, os tucanos paulistas, principal base nacional do partido e seção a que Fernando Henrique está filiado, romperiam com o governo.
O PPB, por sua vez, faz idêntica ameaça: se Maluf não estiver no comando nacional da campanha, que deve ser compartilhado pelos partidos aliados, haverá rompimento. Como conciliar o inconciliável? A atitude de Fernando Henrique tem sido a da impossível contemporização. Funciona às vezes, mas sempre em caráter precário.
Quando a campanha tiver início, ambos irão lhe cobrar atitudes mais definidas, que ele naturalmente não estará em condições de assumir. Eis o que dá ter aliados ecléticos.
No Paraná, as afinidades de Fernando Henrique são obviamente maiores em relação a Jaime Lerner, que o apoiou em 1994, em detrimento da candidatura de Brizola, a cujo partido pertencia então. Lerner deixou o PDT pensando em entrar para o PSDB, mas foi barrado por Álvaro Dias, que se apossou do comando do partido no Estado.
Sem alternativa, entrou no PFL. Hoje, enfrenta carga pesada dos tucanos, que, nesse bombardeio, têm o apoio do PMDB de Roberto Requião, adversário de Fernando Henrique no plano nacional. Se em São Paulo Fernando Henrique gostaria de apoiar Mário Covas, no Paraná prefere Lerner. Em ambas as situações, no entanto, sente-se imobilizado.
Precisa do apoio de ambas as facções e procura acreditar que irá encontrar um jeito de administrá-las, atendendo parcialmente às respectivas ambições. É um ato de fé.
A lógica cartesiana não endossa essa hipótese, mas o presidente aparentemente confia na máxima segundo a qual política e lógica são mercadorias distintas, que raramente se encontram. A composição de sua base partidária, de certa forma, respalda esse ponto de vista.





