Paulo Maluf (PPB-SP), apesar de todo ardor retórico que tem exibido, está longe de ser obstáculo efetivo à reeleição de Fernando Henrique. O ex-prefeito, com as dificuldades que ameaça criar - entre outras, a de lançar-se candidato à Presidência e iniciar desde já sua campanha - quer apenas valorizar seu cacife eleitoral, que subiu de escala com a eleição de Celso Pitta para a prefeitura de São Paulo.
Maluf já deu sinais a interlocutores qualificados - e o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) é um deles - de que topa negociar com Fernando Henrique. Sabe que a Presidência da República, nas atuais circunstâncias, é uma hipótese remota, que pode resultar numa vitória de Pirro, dividindo a base conservadora, ou mesmo numa derrota, favorecendo o triunfo da esquerda.
Como político, Maluf mostra ao menos um mérito: aprende com os seus próprios erros. O açodamento custou-lhe caro em pelo menos dois momentos de sua carreira: na vitória contra Laudo Natel, em 1978, para o governo de São Paulo, e na derrota para Tancredo Neves, em 1984, no colégio eleitoral.
Em ambas as oportunidades, Maluf bateu de frente com sua própria base, superpondo interesses pessoais aos da estrutura político-econômica a que pertence. Na eleição indireta de 78, o sistema político-militar não contava com sua rebeldia e a puniu drasticamente, favorecendo a eleição de Tancredo Neves na sucessão presidencial seguinte. Não foi apenas do sistema político então dominante que Maluf apanhou: também os meios empresariais censuraram o seu comportamento.
Na hora de distribuir apoios para a campanha presidencial de 84, o meio empresarial fechou com Tancredo. Maluf aprendeu a lição. Tanto assim que, na eleição presidencial de 94, abdicou de sua candidatura ao constatar que o chamado establishment havia fechado com Fernando Henrique. Data daí sua reaproximação com o senador Antonio Carlos Magalhães, que serviu na ocasião de negociador de sua renúncia.
Hoje, o quadro é semelhante. Fernando Henrique é o candidato do establishement que teme uma eventual divisão de forças à direita. Caso isso ocorresse e a esquerda conseguisse emplacar um nome vitorioso (algo neste momento improvável), Maluf seria responsabilizado pelo revés. Está claro que não lhe convem tal contexto.
Maluf, segundo avaliação de políticos que o conhecem bem, deverá insistir num comportamento crítico em relação ao governo. Condenará (quem diria) o fisiologismo e o casuísmo, que se tornaram moeda corrente nas relações do governo com o Congresso. Insistirá numa reforma política mais abrangente e se posicionará como um cobrador. Sua meta é garantir sua candidatura ao governo de São Paulo. Se, porém, confessar isso agora, reduz o valor de seu cacife político.

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