Ruy Fabiano
Há grande expectativa política em torno da última reunião ministerial deste ano, marcada para a próxima sexta-feira, na Granja do Torto. Além das avaliações de ordem geral e setorial e do anúncio de algumas metas para o ano que vem, espera-se uma definição do presidente Fernando Henrique quanto à reeleição.
Há também expectativa quanto ao ministério. Quando a emenda da reeleição foi aprovada, havia sido definido que o atual ministério seria reformado no final de dezembro. Nele, só ficariam os ministros sem projetos eleitorais. Os candidatos deveriam sair espontaneamente, para poupar o presidente do contratempo de exonerá-los.
Fernando Henrique formaria, para o ano final deste seu governo, uma equipe de perfil eminentemente técnico que desse ao período de sua candidatura, quando estará sob intensa vigilância da mídia e dos adversários, uma retaguarda de neutralidade política.
Quando essa estratégia foi anunciada, ninguém protestou de público. Mas, nos bastidores, começou silenciosa manobra para desfazê-la. Os ministros-candidatos - e são muitos e os mais influentes - querem esticar ao máximo sua permanência dentro da máquina.
As razões são óbvias. A máquina dá visibilidade e garante acesso constante à mídia antes do período eleitoral gratuito. Que político abdica de um palanque dessa natureza por mera formalidade ética? A lei das desincompatibilizações permite que eles fiquem no cargo até abril. A luta, pois, é para que não haja antecipações.
Não se sabe em que medida Fernando Henrique foi sensível ao lobby de seus aliados, sobretudo depois da edição do pacote fiscal, que o tornou mais carente de apoio político. Foi a partir do pacote - e a pretexto da crise - que o governo retomou a votação das reformas, acionando todos os seus instrumentos de pressão política para induzir o Congresso a votar. E os ministros são os instrumentos mais eficazes dessa pressão. Em política, como se sabe, nada é gratuito. Os ministros atenderam ao presidente, que, em alguma medida, retribuirá.
Essa medida pode ser a permanência no ministério até abril. Ou não. O ministério aí está. Fernando Henrique não mais emitiu sinais sobre esse assunto, que certamente constará da agenda informal da reunião de sexta-feira. Há políticos mais próximos do palácio que asseguram ter ouvido do presidente que já não pensa em mudar o ministério agora. Pode ser.
Mas esses personagens têm interesse direto na informação, o que os desqualifica como fonte. Permanece, pois, o enigma, que pode ser desfeito na reunião. Com relação à reeleição, ninguém acredita que, apesar das dificuldades impostas pela crise, o presidente tenha mudado de idéia. Continua candidato. Qualquer mudança de rumo se dará diante de fatos catastróficos, que neste momento não estão na linha de suas previsões.





