O presidente Fernando Henrique está mais uma vez sob o fogo cruzado de seus aliados mais próximos - PFL e PSDB. As críticas que recebeu do secretário-geral do PSDB, deputado Arthur Virgílio, que o considerou ‘‘fraco e injusto’’, não constituem um fato isolado.
Virgílio é, por natureza, impetuoso, mas só disse o que disse porque viu esgotadas todas as outras alternativas de se fazer ouvir pelo presidente. O que está em pauta, da parte do deputado tucano, não é o atendimento a pleitos clientelistas pessoais.
Virgílio frisa que não está pleiteando coisa alguma. O que está fazendo é justamente o contrário: protestando contra o atendimento clientelista que o governo federal vem fazendo aos pleitos do governador Amazonino Mendes (PFL), do Amazonas. A estadualização do porto de Manaus, por exemplo.
O PSDB incomoda-se com o apoio que o presidente estaria dando, Estado por Estado, a seus concorrentes pefelistas, às vésperas de se iniciar a campanha eleitoral. Nem a neutralidade estaria sendo posta em prática. E o exemplo mais claro seria o atendimento a Amazonino.
Os tucanos estão furiosos. Sentem-se deprezados pelo presidente não obstante as sucessivas demonstrações de fidelidade cega, em momentos cruciais, como o do pacote fiscal. O partido apoiou sem restrições as medidas anunciadas, enquanto o PFL fez jogo duro contra o aumento do imposto de renda. O governo acabou cedendo.
O que se percebe é que, na luta por espaços dentro do governo, o PFL mostra-se mais profissional. O partido segue à risca o velho princípio cultivado por Tancredo Neves segundo o qual não se faz política com o fígado. O PFL não faz concessão às emoções.
Basta recordar as vezes em que os pefelistas tiveram interesses contrariados pelo presidente da República. Quando da intervenção do Banco Central sobre o Banco Econômico, por exemplo. O senador Antonio Carlos Magalhães, contrariadíssimo, teve que engolir sua fúria e realinhar-se, disciplinado, diante das decisões tomadas.
Em pouquíssimo tempo, estava de volta às fileiras governistas como se nada tivesse acontecido. Há pouco, quando das discussões em torno do pacote fiscal, idem. O presidente criticou os que não queriam colaborar, mas acabou se curvando aos argumentos do PFL. Sem emoções. O PSDB não tem a mesma intimidade com o poder, nem o mesmo pragmatismo diante das adversidades. Fernando Henrique não quer, nem pode perder o apoio do partido, que, afinal (e por incrível que pareça), é o seu.
Mas também não pode prescindir do PFL, que se tornou o seu braço operacional mais eficaz no Congresso. Como um equilibrista na corda bamba, o presidente tenta acalmar a todos e mostrar que, apesar de todas as dificuldades do momento, o poder é ainda suficientemente amplo para atender às necessidades de cada um.
O conflito presente é apenas uma pequena amostra do que está por vir com o inicio da campanha eleitoral do ano que vem.

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