Foi dada a partida para a guerra parlamentar da reeleição. Uma guerra, diga-se, mais ou menos previsível - no custo, nos prazos e no resultado. O governo tem pressa e espera estar votando a emenda, em primeiro turno, até o dia 15 - quarta-feira da semana que vem.
O presidente Fernando Henrique acha que quanto mais se prolonga a tramitação, mais novidades, inevitavelmente adversas, surgem no caminho. A oposição, que continua desarticulada e desmotivada, bem que tenta colocar pedras no trajeto: plebiscito, referendo, CPIs.
Até aqui, porém, nada emplacou. O plebiscito é o grande temor, mas o governo já se movimenta para esvaziá-lo. Há, quanto a isso, uma certeza: se a tese não ganhar a mídia eletrônica, não decolará. Ficará restrita a algumas rodas no Congresso e a algumas colunas de jornal. Juristas e setores influentes da sociedade civil, como OAB, ABI e CNBB, apoiam o plesbiscito. Mais que isso: pedem o plebiscito.
Mas os setores mais abonados - o empresariado paulista, os meios financeiros, as multinacionais - acham-no inadequado, perturbador mesmo. E, óbvio, trabalham contra. Fernando Henrique conta com o apoio de investidores e credores externos. Nesses setores, apóia-se cegamente a reeleição, sem plebiscitos ou referendos. Se fosse possível, até mesmo sem eleição.
O capital externo lida com fatores objetivos. O que lhe importa, neste momento, é a garantia de continuidade das reformas e das privatizações. Com Fernando Henrique, há certeza de que isso prossegue. Sem ele, não se sabe. Daí o apoio irrestrito à reeleição.
A convocação extraordinária do Congresso por 30 dias, ontem iniciada, inclui temas diversos na agenda, desde a reforma do Judiciário até a criação de um imposto sobre combustíveis. Todos sabem, no entanto, que a convocação tem um único objetivo: aprovar a reeleição.
Não há urgência ou relevância para o País - premissas básicas para justificar uma convocação extraordinária do Congresso - nessa questão, segundo parecer de juristas renomados, consultados pelo PPB (partido, diga-se, aliado ao presidente). Detalhes, porém. Para o governo Fernando Henrique, não há, desde a posse (ou talvez antes mesmo dela), nada mais urgente e relevante. Questão de ponto de vista.
O governo vive, apesar de toda demonstração de autoconfiança e apoio, momento delicado. Nestes próximos 30 dias, estará decidindo seu destino político. Acredita que vencerá com folga. Para aprovar, na Câmara, a emenda da reeleição, precisa de 308 votos.
Seus líderes estimam que terá uns 20 a mais. O preço desse apoio já está sendo pago, com a clássica moeda do fisiologismo. Não há outra, num quadro político onde os partidos não têm ideário e ninguém está obrigado a ser fiel, a não ser, claro, a seus próprios interesses.

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