O PSDB não dá mesmo sorte com o presidente. Assumiu posição rígida em torno do pacote fiscal, apoiando-o sem restrições, supondo que Fernando Henrique não faria concessões quanto a seu conteúdo e depois ficaria eternamente grato a seus correligionários. Errou.
O presidente acabou cedendo às pressões do PFL contra o aumento do Imposto de Renda, e o tom do debate acabou sendo imposto pelo presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães. Mais uma vez, os pefelistas mostraram-se mais íntimos da psicologia do poder e faturaram a simpatia da classe média, sem perder a do presidente.
Agora, com a proximidade da campanha eleitoral, os tucanos querem que Fernando Henrique assuma comportamento mais partidário e menos aliancista. O PSDB teme o avanço de PPB e PFL. Ocorre que o presidente não pode atender a essa pressão.
Tornou-se refém da eficiência do PFL no Congresso, de cujos votos e liderança não pode prescindir. O presidente já se referiu aos pefelistas como ‘‘profissionais’’, dizendo que é fácil trabalhar com eles. De fato. Tão logo deu-se o anúncio do pacote, o partido deflagrou duas providências simultâneas e aparentemente conflitantes.
De um lado, passou a criticar o aumento do Imposto de Renda; de outro, acelerou os trâmites para a votação não apenas das medidas, mas também das reformas constitucionais, que estavam empacadas.
O esforço concentrado que o senador Antonio Carlos Magalhães comanda, neste momento, para tornar a próxima convocação extraordinária a mais profícua sensibiliza o presidente. Como abrir mão de tamanha eficácia operacional? Por mais que tenha sido, em outras oportunidades, fustigado por ACM, Fernando Henrique tem nele uma peça-chave nas suas relações com o Congresso.
Tudo isso desagrada imensamente aos tucanos, que se vêem cada vez mais a reboque dos acontecimentos. Já houve diversas reuniões do alto comando do partido em busca de um mecanismo eficaz de pressão sobre o presidente para que ele assuma sua face partidária.
Isso, porém, implicaria gestos que, do ponto de vista estratégico-eleitoral, o presidente definitivamente não pode assumir. Por exemplo: romper com Paulo Maluf e abraçar a candidatura Mário Covas (ou outra que a substitua) ao governo de São Paulo.
A base política governista é híbrida, e o presidente não tem outra saída senão assumir a mesma feição. A campanha eleitoral acentuará essa tendência na mesma intensidade com que os tucanos tentarão revertê-la. O presidente não subirá em palanques alheios, permitindo, porém, que todos subam no seu, que pretende amplo e acumênico.
Enquanto o PSDB reclama do distanciamento, o PFL presta serviços no Congresso, para os quais, claro, não deixará de remeter fatura política. Não é casual que esteja no comando do processo.

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