Ruy Fabiano
O presidente do PMDB, Paes de Andrade, não tem dúvidas de que o partido acabará por optar por candidatura própria à sucessão presidencial. Acha que o desgaste da candidatura Fernando Henrique, decorrência inevitável da crise pós-pacote (que, segundo ele, ainda nem começou), fortalecerá a tendência oposicionista do partido.
O problema está exatamente a partir daí. O PMDB tem pelo menos três fortes candidatos potenciais à sucessão de Fernando Henrique: o ex-presidente Itamar Franco e os senadores José Sarney e Roberto Requião. Em tese, cabe à convenção do partido, se vier a se decidir pela candidatura própria, fazer a opção.
Na prática, porém, não é bem assim. Faz-se tudo para evitar confrontos na convenção, para que o partido não saia rachado - como, de certa forma, aconteceu nas duas últimas sucessões presidenciais. Ulysses Guimarães, em 1989, impôs-se a Orestes Quércia e acabou, sem o apoio deste, lanterninha daquela eleição.
Em 1994, Quércia impôs-se ao restante do partido e teve menos votos que Enéias. A idéia é que, agora, o partido não apenas saia unido (exceto, claro, sua porção governista), como também receba apoio dos demais partidos de oposição.
Nesses termos, o nome menos provável seria o de José Sarney. Apesar de seu inegável prestígio pessoal, aferido em pesquisas, não favorece alianças à esquerda. Itamar e Requião - este mais que aquele - são bem mais assimiláveis. O PPS torce por uma aliança Itamar-Ciro Gomes, enquanto o PT sonha com a união Lula-Roberto Requião, admitindo mesmo que caiba ao peemedebista a cabeça de chapa.
Paes não sabe ainda por quem optar. Por enquanto, mantém todos os candidatos esperançosos, estimulando-os a que se articulem. Neste momento, a fartura de alternativas lhe é conveniente, já que o desafio em pauta é derrubar a tese adesista da facção chapa-branca do PMDB, que quer atrelar o partido à candidatura à reeleição.
Paes não diz em público, mas crê que a chapa Itamar-Ciro Gomes tem apelo bem mais ecumênico que a de Requião-Lula. A sucessão, diz ele, se decide no apoio do centro-esquerda. E nele Lula e Requião disputam o campeonato de rejeição. Assim como Sarney não é assimilado pela esquerda, Lula e Requião - o primeiro por razões ideológicas e o segundo por razões ligadas à própria razão - não são assimilados pelo centro.
Não há, porém, como optar por Itamar neste momento. O ex-presidente acha que é cedo demais para definir-se. Quer jogar com o tempo, mantendo todos em suspense. Assim como diz a Paes que sua candidatura presidencial está em exame, não revoga o trato que fez com Fernando Henrique, de sair candidato ao governo de Minas - e, nessa hipótese, apoiarem-se reciprocamente. Itamar não tem pressa; Paes tem.





