Ruy Fabiano
O vice-presidente Marco Maciel tem um aliado de peso para mantê-lo na chapa da reeleição: o próprio presidente Fernando Henrique. Maciel é uma espécie rara de vice na história contemporânea do Brasil. É discreto, sem ser omisso - e joga a favor do titular.
O marechal Floriano Peixoto, vice de Deodoro da Fonseca, estava longe desse perfil. João Goulart, vice de Juscelino e Jânio, idem, assim como Aureliano Chaves em relação a João Figueiredo. Há o exemplo recente de Itamar Franco em relação a Fernando Collor, numa lista extensa que abrange praticamente toda a história da República. São fatores relevantes na hora de decidir o companheiro de chapa.
O empenho do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, de trocar Maciel por seu filho, Luís Eduardo, gera resistências dentro do próprio PFL. O mínimo que se diz é que, em time que está ganhando, não se mexe. Maciel tem sido uma área de sólida estabilidade.
Age com desenvoltura quando pipocam dissensões no partido. E é um eficiente algodão entre cristais, a impedir o atrito entre áreas sensíveis e influentes do governo e do Congresso. Em relação mesmo a ACM, que não poucas vezes trombou com o Executivo e mesmo com o Judiciário, Maciel já desempenhou discretas e importantes embaixadas. O presidente, segundo se sabe, não pensa em tirá-lo.
O embate reaviva velhas diferenças entre as seções baiana e pernambucana do PFL, as mais influentes do partido. Há, entre ambas, velha rivalidade, que remonta aos tempos da falecida Arena. No governo Fernando Henrique, não é essa a primeira vez que atritos entre essas alas se manifestam. O ministro do Meio Ambiente, Gustavo Krause, por exemplo, já esteve na alça de mira de ACM. Sobreviveu graças a seu próprio talento para criar fatos políticos e ao de Maciel (a quem é ligado) para contornar crises.
A primeira-dama, dona Ruth Cardoso, disse certa vez que o PFL que ela respeita é o de Krause, que, no fim das contas, é o de Maciel. Também por esse viés, a continuidade do atual vice na chapa da reeleição parece favorecida.
Antes de enfrentar ACM, Maciel sofreu outros assédios pelo seu posto. O PMDB governista há muito o reivindica. O partido considera-se em posição secundária dentro da aliança, o que estimula a ampliação da dissidência interna. Falou-se em certa época que o senador José Sarney estaria empenhado em garantir o lugar para sua filha Roseana, governadora do Maranhão. Hoje, Roseana empenha-se em garantir sua reeleição com o apoio do presidente Fernando Henrique e do vice Marco Maciel.
A guerra pela futura vice-presidência, por não ser aberta nem urgente, não tem desfecho à vista. A crise econômica tornou esses embates secundários. Não se sabe sequer o futuro da candidatura Fernando Henrique, em que medida perde ou não substância diante da instabilidade da economia. São questões que tendem a tornar-se mais efetivas no ano que vem.





