Ruy Fabiano
O presidente do PMDB, deputado Paes de Andrade, não se impressiona com a circunstância de que 76% da bancada do partido na Câmara apoiaram o governo, na votação da reforma administrativa. Esses números estão longe de indicar, segundo sua avaliação, apoio incondicional à candidatura reeletiva de Fernando Henrique.
De fato. A votação da reforma deu-se sob o impacto de pressões diversas, sobretudo a crise econômica. O Congresso foi posto na berlinda e responsabilizado pelo destino das reformas, novamente apontadas como um dos remédios fundamentais para a defesa do real. O PMDB, como os demais aliados do governo, atendeu a essas pressões.
Já a candidatura Fernando Henrique está, neste momento, numa zona de incertezas. Não se sabe a extensão do desgaste que sofreu com o pacote fiscal. Pior: não se sabe ainda que desdobramentos terá a crise, cujo epicentro está fora do País e obedece a outros comandos.
A candidatura do presidente sofrerá o influxo de todos esses acontecimentos, para o bem ou para o mal (na perspectiva presente, vê-se mais o mal que o bem). Se os acontecimentos exigirem medidas ainda mais duras e impopulares, Fernando Henrique poderá chegar à circunstância de simplesmente ter que renunciar à sua pretensão continuísta. Essa hipótese, embora com discrição, já é admitida por algumas das mais fervorosas lideranças governistas.
Política e estabilidade são, em certo sentido, conceitos conflitantes. A instabilidade das alianças pode-se resumir na frase que o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) proferiu, dias após a aprovação da emenda da reeleição no Senado: Se a eleição fosse hoje, o presidente estaria reeleito. Mas a eleição não é hoje.
Sentença simples e definitiva. E é nessa instabilidade, gerada pela natureza imponderável da crise, que Paes de Andrade joga todas as suas fichas. O PMDB, maior partido do País,
não obstante o número de adeptos que recentemente perdeu para PFL e PSDB, sente-se profundamente atingido em sua auto-estima com o papel secundário que desempenha dentro da base política do governo.
Paes sustenta que a tendência do partido, não reagindo a esse tratamento, é, cada vez mais, perder importância. Lançando candidato próprio, a história é outra. O partido revitaliza-se e credencia-se a eleger bancadas expressivas nos Estados.
Há, quanto a isso, divergências. A ala governista do partido argumenta que, sendo eleição casada a do próximo ano _ isto é, envolvendo desde assembléias legislatvas, governos estaduais e Congresso até a Presidência da República _, dificilmente haverá espaço para aventuras pessoais. Os governadores, candidatos à reeleição, preferem o pássaro na mão do apoio federal (via candidatura de Fernando Henrique) que os dois pássaros voando de um discurso dissidente.
O futuro do PMDB, em resumo, é tão previsível quanto a das bolsas de valores da Ásia.





