As tensões entre PT e PSB evidenciam que união é palavra que as esquerdas costumam usar apenas para designar determinada marca de açúcar. A ex-petista Luiza Erundina, hoje uma luminar do PSB, considera remotíssima a hipótese de seu partido vir a apoiar Lula.
Erundina, além de queixas pessoais - atribui a Lula o fiasco de sua candidatura à prefeitura paulistana ano passado -, não o vê qualificado para viabilizar alianças, sobretudo ao centro. E, sem elas, não há chances nas eleições presidenciais.
O PC do B, outro aliado natural, não quer antecipar compromissos. É, entre os partidos de esquerda, o mais próximo do PT, mas não mostra muito entusiasmo pela candidatura Lula. Brizola condiciona o apoio a um compromisso explícito do PT fluminense de apoiar a candidatura de Anthony Garotinho (PDT) ao governo do Estado do Rio ano que vem. Esse apoio, para dizer o mínimo, é improvável.
Já foi tentado em outras oportunidades. O PT fluminense não se entende com o PDT local, que considera marcado por fisiologismos, e nutre especial aversão ao radialista Garotinho, que personificaria práticas políticas diametralmente opostas à dos petistas.
Se essa for a única hipótese de se estabelecer parceria nacional entre os dois partidos, o mínimo a dizer é que está difícil. Quanto ao PPS, já tem candidato, Ciro Gomes, que sonha em atrair dissidências do governo e sensibilizar as viúvas eleitorais de Lula. Erundina é uma delas - e já declarou considerar Ciro bem mais plausível que Lula, no papel de candidato único da oposição.
A questão é que, com o pacote fiscal e o consequente abalo à candidatura Fernando Henrique, todas as especulações sucessórias tornaram-se prematuras. A campanha, que havia sido deflagrada com a aprovação da emenda da reeleição, foi suspensa. Não se sabe o que acontecerá nos próximos dois, três meses.
Se a crise se agravar, a oposição passa da condição de virtual derrotada à de favorita. Já não lançará candidato para o sacrifício, mas para conquistar de fato o poder. Essa perspectiva, mais concreta que nunca, zerou a sucessão e embolou o meio de campo das candidaturas. Ambições foram redespertadas.
Nomes de razoável peso, como Itamar Franco, José Sarney, Roberto Requião, estão novamente em campo, em busca de apoios. Ninguém quer assumir compromissos agora. A idéia do presidente do PMDB, Paes de Andrade, de definir o candidato peemedebista na convenção extraordinária de dezembro está sendo reexaminada por seus aliados.
O melhor, neste momento, dizem os oposicionistas, é trabalhar internamente, em busca de coesão, enquanto o governo aprofunda seu desgaste decorrente da crise econômica. O tempo, nas atuais circunstâncias, dizem eles, conspiraria contra os objetivos da candidatura Fernando Henrique.

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