Ruy Fabiano
Apesar de todo o desgaste que o pacote fiscal já ocasionou e ainda deve ocasionar à candidatura Fernando Henrique, os partidos de oposição estão longe de um consenso quanto à estratégia para melhor enfrentá-lo. A idéia de uma candidatura única continua presente, mas é só. Tudo o mais é divergência.
A primeira é a mais problemática e resume as demais: como materializar essa união. O PT, maior dos partidos de oposição, não cogita de abrir mão da primazia de lançar candidato. Quer a candidatura única, desde que, claro, seja a dele.
Lula, que antes defendia maior flexibilidade por parte do partido, admitindo até apoiar alguém de outro partido - chegou a falar do senador Roberto Requião, do PMDB -, voltou a falar como candidato.
O pacote renovou-lhe a esperança. A questão é que, se as medidas abalaram a aura de invencibilidade de Fernando Henrique - e não há dúvida quanto a isso -, não significa que removeram as resistências nos demais partidos de posição contra Lula.
Persiste a certeza de que ele, após duas derrotas sucessivas em eleições presidenciais, não tem chances. É visto como um grande cabo eleitoral e um candidato de primeira para a Câmara ou para o Senado, mas sem chances para cargos executivos. Seu índice de rejeição é incompatível com as necessidades de uma candidatura presidencial.
Lula, claro, não crê nisso. Acha que as duas derrotas anteriores decorreram de uma atitude política restrita do PT, avesso a alianças. Se o partido ampliar seu leque de parceiros, sobretudo ao centro, as resistências junto à classe média tendem a cessar.
A tese tem fundamento. Resta ver se é exequível. Não parece. A porção xiita do PT nem admite pensar em alianças ao centro. Mesmo as alianças à esquerda, com PSB e PC do B, são malvindas. Ali, torce-se para que o PT lance candidato próprio sem conversar com ninguém.
Lula, escaldado por bravatas anteriores, não concorda. Para definir essas controvérsias, a Executiva do partido convocou convenção extraordinária para a segunda semana de dezembro. Tal como o PMDB (só que, claro, por razões diferentes), o PT está dividido em duas correntes antagônicas - uma, a de Lula e José Dirceu, quer alianças; outra, a xiita, não. A que quer aliança, no entanto, só a admite se o candidato for o do PT, o que torna as conversas mais problemáticas.
Enquanto PT e PMDB administram suas contradições internas, o minúsculo PPS, de Ciro Gomes e Roberto Freire, observa a cena em silêncio. Não convêm intervir agora. Ambos acreditam que as contradições daqueles partidos são inadministráveis e que as oposições acabarão cedendo à evidência de que é preciso um nome de centro-esquerda, com índice mínimo de rejeição, para aglutinar as insatisfações contra o governo Fernando Henrique. Esse nome (que o PT acha que é Lula, e os dissidentes do PMDB, Roberto Requião) seria, para o PPS, Ciro Gomes.





