O vice-presidente Marco Maciel, recém-chegado de viagem à Espanha, país que não visitava desde 1971, impressionou-se com a mudança de conceito em relação ao Brasil. ‘‘O patamar hoje é outro; o Brasil é tratado como um país importante, destinado a ingressar no primeiro plano da cena mundial’’.
Essa impressão ele já tivera meses antes, em recente viagem a Alemanha. Maciel acredita que a chave da mudança é que, pela primeira vez na história republicana, o Brasil convive simultaneamente com estabilidade política e econômica. Em algumas fases do Segundo Reinado, isso chegou a acontecer. Na República, não.
No período republicano, em regra, uma coisa excluía a outra. Para ficar em exemplos recentes, a estabilidade econômica do tempo do milagre econômico teve como contrapartida o regime autoritário. Na redemocratização, no governo Sarney, a estabilidade política conviveu com a hiperinflação. Após o real, têm-se as duas coisas - e já há um tempo suficientemente longo para inspirar confiança externa.
Apesar do terremoto das bolsas, com epicentro na Ásia, Maciel não crê em consequências maiores para o Brasil. Acha mesmo que, a médio prazo, as mudanças podem beneficiá-lo. A instabilidade asiática pode empurrar aqueles capitais de risco para cá.
Os chamados tigres são economias que o vice-presidente classifica de ‘‘virtuais’’. Não têm a consistência da brasileira, além de se situarem em conjunturas políticas tensas e complexas. Caso de Hong Kong, recém-transferido da tutela britânica para a chinesa.
Um sinal claro da confiança externa no Brasil, diz ele, são os números. Previa-se para este ano que ingressassem R$ 15 bilhões de investimentos de risco. Até agosto, esses números já estavam em R$ 12 bilhões e a previsão é de que, até o final do ano, cheguem a R$ 17 bilhões. Ano passado, essa marca ficou em torno de R$ 6 bilhões.
‘‘Imagine quando concluirmos as reformas’’, diz Maciel. Ele acha que, apesar de todas as críticas que recebe, o Congresso Nacional tem papel de relevo no processo de modernização do país. ‘‘O Congresso já aprovou 12 emendas constitucionais, apesar das exigências de quorum de três quintos, em dois turnos de votação bicameral. É bem mais do que a revisão constitucional logrou obter’’. Não é só.
Maciel chama a atenção para a dimensão e profundidade das mudanças: o que se aprovou - a quebra de alguns monopólios, por exemplo - equivale a uma revolução na mentalidade política do país.
Ele acredita que a convocação de uma revisão constitucional para 1999, mais ou menos nos termos da proposta do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), é inevitável. ‘‘Não conheço todas as propostas em tramitação, mas a do Miro me parece boa, pois abrange o essencial: reforma política, reforma fiscal, federação’’.
Ele se opõe à idéia de um plebiscito para essa convocação, como propõe o líder do PSDB na Câmara, Aécio Cunha. ‘‘Isso tumultuaria o processo e não traria qualquer contribuição’’. Maciel se diz otimista em relação ao futuro imediato do país - otimismo, que, claro, inclui nas entrelinhas a crença na sua reeleição e na de Fernando Henrique.

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