O empenho da facção governista do PMDB em alinhar o partido com a candidatura de Fernando Henrique à reeleição enfrenta poderosas resistências internas. O presidente do partido, Paes de Andrade, defensor de uma candidatura autônoma - e adversário do Planalto -, sustenta que as bases do PMDB são, em sua maioria, hostis ao governo.
Basta lembrar que, na convenção anterior do partido, há dois anos, foi aprovada pelo plenário, sob o estímulo de Orestes Quércia e Paes de Andrade, moção contrária à reeleição de Fernando Henrique.
A decisão surpreendeu, mas não teve consequência prática. A emenda da reeleição só seria votada mais de um ano depois, o que permitiu que aquele gesto se diluísse no tempo. Ficou, porém, o registro de uma insatisfação que, de lá para cá, só cresceu.
Há algumas semanas, o presidente Fernando Henrique, em jantar no Palácio da Alvorada com a cúpula governista do partido - de que fazem parte os ministros da Justiça, Iris Resende, dos Transportes, Eliseu Padilha, e o presidente da Câmara, Michel Temer -, fez um apelo para que o partido aderisse à sua candidatura.
É esse apelo que deflagrou, a partir de ontem, em Brasília, uma série de reuniões, envolvendo inclusive os nove governadores do partido. O presidente preocupa-se menos com as candidaturas de José Sarney e Itamar Franco - até aqui, meros balões de ensaio - e mais com a tese em si de candidatura própria. O presidente lembrou que o PMDB é governo e, como tal, deve-lhe lealdade.
Ele acompanha preocupado o empenho do deputado Paes de Andrade em conectar o partido à tese da candidatura única de oposição à presidência da República. Paes, que foi um dos primeiros incentivadores da candidatura José Sarney, hoje mostra-se mais interessado em viabilizar a chapa Itamar Franco-Ciro Gomes.
O problema é que o PMDB é uma nau sem dono. Desde a morte de Ulysses Guimarães, que era o traço de união do partido, aprofundam-se as divisões internas. Há, na verdade, vários PMDBs. Os que têm cargo no governo fazem discurso governista; os que não têm - como Paes de Andrade e Orestes Quércia - agem como oposicionistas.
As dificuldades com o PMDB estão na origem de sua adesão ao governo. O partido foi o último a integrar a base govenista, aderindo apenas após a posse. Por isso mesmo, ficou desde então em posição secundária. O partido jamais se conformou em, sendo o maior no Congresso, estar a reboque do PFL e do PSDB. Foi perdendo adeptos para seus parceiros governistas e hoje é a terceira bancada na Câmara.
Não é impossível reverter a situação dentro do partido, desde que, claro, o governo esteja disposto a gastar. O PMDB está sedento de cargos e influência. Um de seus pleitos é o de compor a chapa da reeleição, ocupando a vice-presidência. Fernando Henrique não quer. Está satisfeito com Marco Maciel e não pretende entrar em conflito com o PFL. O PMDB insiste nesse ponto, na certeza de que, com essa intransigência, poderá auferir algum ganho.

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