O favoritismo indicado pelas pesquisas ainda não foi suficiente para convencer Leonel Brizola a disputar mais um mandato de governador do Rio de Janeiro. Seria o terceiro desde que voltou do exílio. Brizola está sendo instado por velhos companheiros do PDT, como o deputado Neiva Moreira, a disputar a Câmara ou o Senado.
O argumento tem sido extensivo a outras lideranças oposicionistas de peso, como Miguel Arraes e Lula (caso este desista mesmo de disputar a presidência da República). O raciocínio é o seguinte: o plano de estabilização econômica tornou estados e municípios reféns do Banco Central. Os governadores são meros executores da política monetária do governo, que submeteu as dívidas a rígido processo de ajuste.
Isso neutralizou o poder de pressão dos governadores, obrigados, por imperativo de sobrevivência, a cultivar boas relações com o poder central. Se as principais lideranças de oposição, como Brizola, Lula e Arraes, jogarem suas fichas na disputa desse cargo, candidatam-se a um auto-engessamento político.
Câmara e Senado - mais Câmara que Senado - tornaram-se os principais espaços de pressão política contra o governo federal. Os formuladores da oposição insistem em que deve ser feito todo o esforço para aumentar as bancadas no Congresso e melhorar-lhes o perfil. Um nome como Brizola disputando a Câmara dos Deputados é garantia de eleição de diversos outros, beneficiários do repasse de votos.
Calcula-se que Brizola se eleja deputado com mais de um milhão de votos, o que representaria uma sobrevida para seu minguado PDT. Sua presença na Câmara seria também um alento para as oposições. Exemplo da impotência dos governadores é o próprio Miguel Arraes, cuja liderança está submetida ao pior desgaste de sua carreira, exposto a acusações constrangedoras (caso dos precatórios) e sem qualquer poder de fogo contra o governo federal.
O horizonte visualizado pela oposição tende a acentuar esse quadro. Ninguém confessa abertamente, mas a verdade é que, até aqui, ninguém acredita na derrota de Fernando Henrique. Todos raciocinam como se o segundo mandato já fosse fato consumado. Como diz o ex-prefeito Tarso Genso, possível candidato petista à presidência, o fator determinante na eleição presidencial será a estabilidade da moeda, trunfo que pertence a Fernando Henrique. A menos que a oposição arranje um discurso à altura - até aqui, não há pistas -, será difícil derrubá-lo.
O cenário previsível, na perspectiva de hoje, é o do segundo mandato de FHC, que o exercerá com maior soma de poderes. Nessa hipótese, os governadores tendem a ser personagens menores na cena política, enquanto o foco de contestação e combate deverá centrar-se no Congresso. Brizola avalia essas ponderações, mas não pretende manifestar-se a respeito tão cedo. Sua definição deverá ocorrer no curso das articulações em torno da candidatura oposicionista à sucessão de FHC.

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