Ruy Fabiano
Crescem as chances de o ex-prefeiro de Porto Alegre, Tarso Genro, vir a ser o candidato da oposição - e não apenas do PT - à sucessão presidencial do ano que vem. Lula, pressionado pela ala radical do partido, já admitiu que Tarso é o melhor nome.
O senador Roberto Freire (PPS-PE), empenhado em viabilizar uma frente democrática e de esquerda para as próximas eleições, concorda com Lula. Acha mesmo que essa é a única hipótese de haver uma aliança de centro-esquerda eficaz para enfrentar Fernando Henrique.
Freire não crê no discurso petista radical, nem no de Lula (que, embora moderado, faz constantes concessões para ser absorvido pelos xiitas). O PT que lhe interessa é o de Victor Buaiz (que acaba de deixar o partido ) e Cristovam Buarque, que enfrentam a ira dos radicais e têm dificuldades para ajustar a máquina administrativa dos seus respectivos governos - Espírito Santo e Distrito Federal - às necesidades de uma conjuntura econômica globalizada e em transformação.
A repulsa da esquerda tradicional, hoje abrigada no PT, pelas reformas fez com que elas ficassem associadas ao ideário neoliberal, o que, segundo Freire, é um equívoco. A aliança que propõe - e que pode gerar, nas discussões preliminares, uma nova legenda - repele essa visão estreita. A idéia é oferecer à sociedade um programa de governo que, sem divergir do diagnóstico reformista, ofereça alternativas concretas aos desafios sociais. Esse o calcanhar-de-aquiles do governo.
Freire vê Fernando Henrique dividido entre as forças sociais-democratas (PSDB) e as neoliberais (PFL), com predominância destas. Essa esquizofrenia gera perplexidade na área social. A miopia da esquerda tradicional não permite que esse espaço seja devidamente ocupado. Discute-se ainda na esquerda ortodoxa, a globalização em si, como se fosse algo evitável, quando o correto seria discutir um projeto de inserção do país no processo.
Outros nomes presidenciáveis cogitados para uma aliaça de centro-esquerda são os de Ciro Gomes e Itamar Franco. Ciro está empenhado na articulação de um partido de centro-esquerda, enquanto Itamar mantém mistério sobre seu futuro. Pode sair candidato a governador de Minas - nesse caso, com o apoio de Fernando Henrique - ou a presidente da República, como oposionista.
Neste momento, no entanto, nem mesmo partido político tem. Inclina-se pelo PMDB, mas não mostra pressa em filiar-se. Parece interessado em ver os desdobramentos das articulações de Freire e Ciro Gomes, além, claro, das eleições internas do PT, domingo próximo.
É para lá que estão voltadas as atenções gerais. Os petistas empenham-se em evitar o racha, e o fortalecimento do nome de Tarso Genro é fruto desse empenho. A esquerda vive momento nervoso, mas que tem um aspecto positivo: o que a agita não é mais a falta de horizontes, mas o entrechoque de idéias. Já é um avanço.





