A hipótese de vitória dos radicais do PT nas eleições para presidente do partido, no final deste mês, põe governo e oposição em guarda. Para o governo, a hipótese é boa, na medida em que desarticula o esforço oposicionista por uma candidatura única.
Para a oposição, como é óbvio, a expectativa é inversa. Lula já avisou que, vencendo Milton Temer, candidato dos radicais, não disputará a presidência da República. Lula quer carta branca para selar alianças de centro e de centro-esquerda e Temer já avisou que não a dará. Sem essas alianças, Lula não vê chances de sucesso.
O favorito, até aqui, segundo pesquisas internas do partido, é o atual presidente, José Dirceu, candidato à reeleição, com 60% das preferências. Ele compartilha dos pontos de vista de Lula, contrários ao slogan de Temer, que quer o PT como ‘‘o partido que diz não’’. Lula está cansado de dizer não há 20 anos. Quer agora dizer sim, trocar o papel de estilingue pelo de vidraça. Sabe que se o partido quiser chegar ao poder, terá que se abrir, fazer alianças.
Lula já conversou com Brizola e Arraes. Ambos dispõem-se a apoiá-lo para presidente da República. Só que não o farão pelos seus belos olhos. Querem contrapartida nas eleições estaduais, por meio de coligações nas disputas majoritárias (governadores e senadores), sobretudo em Pernambuco, Rio e Rio Grande do sul. Mas essas seções estaduais do PT estão divididas - e os xiitas não querem nem conversa.
A eleição do dia 31 próximo é decisiva para selar a sorte da oposição. Mas ainda que triunfem os moderados, não há tantas razões para otimismo. A vitória dos radicais, por enquanto improvável, pulveriza as oposições e consolida o favoritismo de Fernando Henrique na sucessão presidencial. Mas a vitória moderada, que deve acontecer por pequena margem, racha o partido e o enfraquece.
É improvável que os radicais, derrotados, permaneçam onde estão. Se permanecerem, serão fator de desgaste e desestabilização nos acordos que Lula vier a fechar nos estados e em nível nacional. Se não ficarem, devem partir para a criação de um novo partido de esquerda, sem a mais remota chance de chegar ao poder, mas com formidáveis oportunidades de continuar dizendo não, inclusive aos aliados potenciais.
Essa debandada reduz as chances (já em si escassas) de vitória da candidatura única oposicionista. Mas, neste momento, é essa a torcida de PDT e PSB, aliados de Lula e José Dirceu. Brizola e Arraes, que não alimentam mais o sonho da presidência da República, não se incomodam com o esvaziamento do PT. Querem apenas garantir alianças majoritárias em seus respectivos estados.
Esse comportamento incomoda Lula e os moderados, pois pode representar perda de votos dentro do PT. Como se vê, o velho adágio de que as esquerdas só se unem na cadeia não está assim tão desatualizado.

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